<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392</id><updated>2011-07-08T16:44:51.945+12:00</updated><title type='text'>Nonada</title><subtitle type='html'>quase nada</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>25</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-5528175224000775588</id><published>2010-04-22T14:42:00.004+12:00</published><updated>2010-04-22T14:52:17.363+12:00</updated><title type='text'>z)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/S8-5L4dGErI/AAAAAAAAAdQ/MK-lZStnbLs/s1600/CHALEIRA.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 250px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/S8-5L4dGErI/AAAAAAAAAdQ/MK-lZStnbLs/s320/CHALEIRA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5462788486807818930" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Esse texto está incluído na série de contos ficcionais porque, mesmo sendo um texto crítico, o país de que ele fala só pode ser uma ficção.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt; Sarney e a lógica da chaleira &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1925, Freud publicou um texto de grande importância para a formação da teoria psicanalítica, "A Denegação" ( Die Verneinung, em alemão). O texto freudiano sobre a Verneinung introduz à consideração teórica uma outra forma da negação: um ‘não’ que supõe uma afirmação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste caso, a denegação seria uma forma de trazer à tona o que está escondido, inconsciente, sem que seja necessário a aceitação e consciência do que não se sabe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa negação que implica uma afirmação é apresentada por Freud mais tarde numa anedota sobre uma mulher que nega de três maneiras ter quebrado uma chaleira emprestada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela diz:&lt;br /&gt;- “ a chaleira já estava quebrada quando eu peguei”&lt;br /&gt;- “ eu não peguei a chaleira emprestada”&lt;br /&gt;- “ a chaleira não está quebrada”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A soma das três negações super-impostas negam não só sua culpa no caso da chaleira quebrada, como obviamente também negam umas às outras, já que o conjunto das três rompe com os princípios mais básicos da lógica aristotélica (a chaleira não pode ‘já estar quebrada quando foi emprestada’ e ‘não estar quebrada’ ao mesmo tempo, por exemplo). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A combinação dessas três negações aponta para uma afirmação, justamente aquilo que é objetivamente negado, mas que é implicado afirmativamente no enunciado: uma chaleira foi devolvida quebrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, carregada pela denegação - no rastro da rasura, como Jacques Lacan viria muito mais tarde a descrever - encontra-se a presença indestrutível de um sim muito mais profundo: um ‘sim’ que, para além da imaginária idéia de concordância, encontra no peso da sua negação a própria consistência do termo negado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Freud escreve que “negar algo em um julgamento é, no fundo, dizer: ‘Isto é algo que eu preferira reprimir’”. Em termos de sintaxe isso é bastante perceptível. Peguemos um dos dez mandamentos: “Não matarás”. A palavra ‘não’ não substitui a palavra “matarás” - ao contrário: sem a palavra ‘não’, não se escreveria a palavra ‘matarás’. A própria negação do pecado o institui, digamos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa relação dialética e estrutural entre a constituição do que é negado e sua negação nos permite entender mecanismos que se estendem para além do indivíduo e sua psiquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos últimos meses, nas diversas vezes em que o presidente do Senado, José Sarney, subiu ao palanque para se defender das acusações feitas a ele a respeito de seu envolvimento em esquemas de contratação de familiares para cargos públicos, seu envolvimento em atos de nomeação e reajuste salarial realizados de forma secreta durante a sua presidência, formou-se lentamente um quadro bastante similar ao do exemplo citado por Freud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No curso de um pouco mais de um mês, José Sarney respondeu da seguinte maneira às acusações:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele diz:&lt;br /&gt;- “os atos secretos já estavam instituídos quando eu cheguei”&lt;br /&gt;- “eu não sou responsável pela cozinha do Senado”&lt;br /&gt;- “as acusações são todas falsas”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como no exemplo freudiano, encontramos aqui a estrutura:&lt;br /&gt;- x já estava assim antes de mim&lt;br /&gt;- eu não peguei x&lt;br /&gt;- x não está quebrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É seguindo a linha de meu mestre, o filósofo sloveno Slavoj Žižek, que coloco essa homologia entre a situação da chaleira e a defesa de Sarney. Žižek vem há muito tempo analisando e escrevendo sobre política e filosofia levando em conta a hipótese psicanalítica de que há inconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevendo à respeito do posicionamento americano em relação à guerra do Iraque, ele diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Em Março de 2003, Rumsfeld praticou um pouco de filosofia amadora a respeito da relação entre o conhecido e o desconhecido: ‘Existem conhecimentos conhecidos. Essas são as coisas que nós sabemos que sabemos. Existem desconhecimentos conhecidos. Isso é, existem coisas que nós sabemos que não sabemos. Mas também existem desconhecimentos desconhecidos. Existem coisas que nós não sabemos que não sabemos.’ O que ele esqueceu de adicionar foi o quarto e crucial termo: os “conhecimentos desconhecidos”, as coisas que nós não sabemos que sabemos - que é, precisamente, o inconsciente freudiano, o ‘conhecimento que não conhece a si mesmo’, como Lacan costumava dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se Rumsfeld pensa que os maiores perigos no confronto com o Iraque foram os ‘desconhecimentos desconhecidos’, isso é, as ameaças de Saddam cuja natureza nós não podemos nem mesmo suspeitar, então o escândalo [das torturas aplicadas pelos americanos] em Abu Ghraib mostra que os maiores perigos residem nos ‘conhecimentos desconhecidos’ - as crenças denegadas [disavowed beliefs], suposições e práticas obscenas que nós fingimos não ter conhecimento, mesmo sendo o que forma o pano de fundo dos nossos valores públicos.”&lt;br /&gt;  (Žižek, S. http://www.lacan.com/Žižekrumsfeld.htm )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguindo o pensamento de Freud - mas também o de Marx, com seu conceito de ideologia - Žižek posiciona o inconsciente entre o público e o privado, deixando em aberto para nós a possibilidade de enxergar aqui em nossa própria problemática esse ‘saber que não sabe a si mesmo’, mas que nem por isso deixa de organizar tanto o campo social quanto o individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Sarney - num país como o Brasil, onde as estatísticas encontram um familiarmente estranho Iraque entranhado por dentro do seu próprio território - poderia certamente fazer às vezes do nosso próprio Donald Rumsfeld. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas enquanto Rumsfeld esqueceu-se de uma permuta dos termos sobre o qual filosofava, com Sarney o caso é o contrário: Sarney não deixou de falar - falou tanto que voltou a deixar claro a coisa mesma sobre a qual queria calar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, Sarney foi além da chaleira. Numa proposição adicional - que pode ser retirada da sua recente (21/08/09 ) entrevista ao canal televisivo Globo News - após se defender da acusação de que uma familiar sua teria sido nomeada para um cargo parlamentar, dizendo que ela foi sim nomeada - deixando o ato de nepotismo evidente -, mas que não chegou a assumir o cargo, ele completou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“como se pode acusar uma coisa que não existe?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É importante aqui relacionar esse ‘não existe’ com a idéia de denegação. Para além de uma simples denegação, onde as negativas combinadas apontam para a afirmação daquilo que se quer negar, essa quarta negação apresentada por Sarney - não tanto uma negação dos predicados da chaleira, mas dá própria existência da chaleira - aponta para uma estrutura um pouco diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Novamente - reforçando tanto a comparação com Rumsfeld quanto a dívida à Žižek - gostaria de retornar aos comentários do filósofo a respeito de outro aspecto da ‘guerra ao terror’: o comentário do governo americano confirmando as suspeitas de tortura em Guantanamo publicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respondendo às fotos e vídeos trazidos ao público que mostravam soldados americanos humilhando e torturando prisioneiros, o governo respondeu em diversas fontes com um discurso afirmativo - Sim, a tortura acontece - Seguido por uma série de modalidades de argumentação liberal para criar uma fraseologia democrática por cima dessa primeira - e obscena - afirmação: A tortura acontece, mas só com aqueles ‘que foram perdidos pelas bombas’, ou argumentando ‘que é melhor pelo menos falar a respeito’, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Žižek, que possui um extenso trabalho relacionado ao estudo da ideologia e seus mecanismos de funcionamento, reagiu ao posicionamento americano com a seguinte resposta: Se é só tortura o que se passa, método esse comum e sabido pelo povo desde sempre, por que é que agora estão admitindo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filósofo compara essa situação a de um marido que conta para a esposa que está tendo um caso, um affair passageiro. A mulher se indigna: Se é só um caso, porque ele está contando pra ela? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação entre as duas situações torna evidente que o ato de tornar público nunca é um ato ‘neutro’, sem investimento. Tornar público implica uma posição diferente de manter algo no terreno da clandestinidade, principalmente para aquilo que habita, por definição, na distância entre a letra da Lei (o que está escrito que devemos fazer) e a realidade (aquele espaço em que o desvio é tolerado, conquanto seu conhecimento não seja direto ou oficial).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui aparece o ‘para além da chaleira’ de Sarney: Esse argumento apresentado na entrevista, admitindo o nepotismo, mas ao mesmo tempo o colocando como desculpável, já que o cargo não foi assumido, demanda um laço perigoso entre o oficial e o oficioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda com a chaleira como exemplo, seria com estranheza que se receberia num tribunal o argumento contra ou a favor a existência do objeto: A chaleira já estava quebrada quando eu peguei, eu nem peguei a chaleira emprestada, a chaleira também não estava quebrada e - além do mais - a chaleira não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o importante é que a estranheza não vem do puro absurdo da quarta proposição, mas de como, de alguma forma, ela de fato é o único modo de combinar as três anteriores. Só de uma chaleira que não existe poderia se predicar sem contradição as três outras negações. Mas qual é o status de uma chaleira que não existe, e no entanto é objeto de um julgamento?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem à tona com o argumento de Sarney obviamente não é a negação da existência dos atos secretos, ou das nomeações, mas a negação da diferença entre a esfera oficial e a esfera das relações ilegítimas da política nacional. Na política, coisas que ‘não existem’ podem ter efeitos. E ao propor que as acusações se dirijam a alguma coisa inexistente - e que, no entanto, existam as acusações - Sarney inclui no discurso manifesto a negação daquilo no qual ele se baseia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nós aprendemos com Freud que tipo de negação é essa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Negar seu envolvimento com uma rede de corrupção é fazer parte da tradição retórica da política no Brasil, mas negar a rede ela mesma é trazê-la em definitivo para o primeiro plano. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando Sarney pergunta como pode alguma coisa que não aconteceu servir de base para acusação, ele está questionando como que ‘aquilo que não acontece’, justamente a base subterrânea da política no país, pôde vazar e ter consequências no registro oficial da lei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde o primeiro discurso de Roberto Jefferson na CPI do Mensalão, quando a abertura para o público da rede de corrupção que envolvia todo o Senado serviu para Jefferson como base de sua defesa, a diferença entre a lei e seu obverso obsceno tem se estreitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Sarney, o presidente do Senado, em seus pronunciamentos recentes, encenou de forma intocável um outro exemplo desta mesma lógica. E essa torção da denegação, essa repetida inclusão pelo avesso da corrupção no discurso político - buscando que a máxima “a corrupção está por toda parte” redima aqueles que a enunciam - desenha um momento de extrema importância para a política nacional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A talvez nunca antes explicada inclusão do presidente do Senado entre os imortais da Academia Brasileira de Letras pode ter encontrado agora a sua justificativa, pois coube a José Sarney encenar - tanto como um dos autores, quanto como personagem - um sintoma nacional. Ali, sob as palavras do político, o Senado se fez Cenado. E, num país carente de teatro, a cena retornou justamente onde devia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E neste momento nós temos uma grande oportunidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como uma pessoa que é extorquida por um policial tem a oportunidade de experimentar a diferença entre a polícia e a Polícia - sofrendo os abusos causados por um homem que encarna o excesso de autoridade e a falta de remuneração que resta à polícia, instituição que luta para se organizar de acordo com uma idéia, e que exibe constantemente facetas estranhas ou mesmo opostas a ela - nós aqui temos a oportunidade de afirmar a diferença entre a lei e a Lei. Nós temos essa oportunidade justamente por ser esta a crise que atravessamos agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os desenvolvimentos recentes da política - e a sua recepção pelo país - o que torna-se cada vez mais aparente no discurso político é a grande aceitação de que essa diferença seja colapsada: Que a lei, com seu ranço e buracos - problemas talvez decorridos, como diz Sergio Buarque de Holanda, de se instalar um sistema único à um território tão extenso - tome o lugar da Lei, o ideal vazio, nunca realizado, que serve de farol para qualquer organização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que é mais perigoso é que a estratificação dos dois terrenos não tem como função permitir que se discuta e resolva o problema da corrupção. Esse discurso que horizontaliza dos dois registros serve para proteger e resguardar tanto aqueles que se utilizam do espaço entre as duas quanto aqueles que não querem lidar com o problema, pois a existência da corrupção por baixo do registro oficial da política não é a novidade, o que permanece novidade é como os dois sempre se entrelaçaram - e isso agora fica ainda mais oculto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na filosofia, na ciência (normalmente associada à religião), na arte e na política, os movimentos contemporâneos de horizontalização, tentativas de se liberar do suporte de uma autoridade externa ao mundo, um Ideal, Causa, Deus etc, trazem consigo esse perigo: a ilusão de que a neutralização, a equivalência ou estratificação dos registros é para todos. Não devemos deixar de nos perguntar: para quem é que é encenada essa equivalência de registros (entre o oficial e o clandestino, no caso)? Pois quanto mais se fala da corrupção, quanto mais vulgar fica o discurso dos nossos políticos, mais profundamente é escondida a conexão entre o poder público e o poder paralelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliado a esse desenvolvimento no discurso da corrupção - e muito de acordo com a história das últimas décadas do Brasil, que testemunhou o fim dos últimos recantos de produção cultural politizada no país - podemos encontrar a máxima liberal de que com a maturidade se deixa para trás a utopia e aprende-se que o mundo é mais complexo, que devemos aprender que tudo é compromisso. Mas o que se aprendeu em casa, agora mostra suas consequências no Planalto Central. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, frente ao exercício vazio que é a performance democrática no Brasil, é o momento de constatar que deixar a utopia para trás não é lidar com o mundo de frente e resolver os problemas que se apresentam, mas deixar que o espaço entre a realidade e esse algo mais, a referência vazia do Ideal - que é o que possibilita a emergência de novos valores - se perca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quando se fecha esse espaço entre os dois o que se coloca em risco não são só os próximos passos na história do país, mas a própria idéia de nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o presidente do Senado sabe ter respaldo político o suficiente para utilizar-se do recurso carrolliano de negar até uma prova concreta, um papel com sua assinatura confirmando seu envolvimento com o caso, o país tem o dever de exigir não o fim da corrupção - pois a relação do brasileiro com a corrupção ainda há de ser encenada  em diversos sintomas, tão intrincada parece ser a identidade nacional com a noção de poder paralelo - mas que o desenvolvimento da política no país não seja feito às custas de da própria idéia de Política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para tratar de algo eterno - como uma Idéia - talvez tenhamos finalmente feito uso da cadeira de um Imortal: a defesa de José Sarney marca na história do país a emergência de que se retorne àqueles mesmos conceitos que o discurso liberal democrático descartou como antiquados ou radicais, e que agora fazem falta (ou melhor, cuja ausência impede a falta de se fazer, como percebemos, angustiados com a impotência com a que testemunhamos a cena do Senado), tendo a coragem de impor ao Novo o traço irascível não do velho, mas do eterno, que é o lugar da tradição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enquanto esse trabalho conceitual não tem lugar - pois não basta eleger uma Idéia, é primeiro necessário descobrir quais idéias nós já elegemos, e talvez não tenhamos a coragem de admitir - é em direção à fineza, humilde arte do gesto vazio, que segura a fresta entre o público e o privado, que devemos nos guiar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-5528175224000775588?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/5528175224000775588/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2010/04/z.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/5528175224000775588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/5528175224000775588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2010/04/z.html' title='z)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/S8-5L4dGErI/AAAAAAAAAdQ/MK-lZStnbLs/s72-c/CHALEIRA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-3503128562643569536</id><published>2009-02-23T09:31:00.006+12:00</published><updated>2009-03-11T00:04:54.272+12:00</updated><title type='text'>y)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SaHGDHNhd8I/AAAAAAAAAYk/0A1yLIRaxbU/s1600-h/Sertao+txt.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 211px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SaHGDHNhd8I/AAAAAAAAAYk/0A1yLIRaxbU/s400/Sertao+txt.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5305739592796829634" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;I &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Eu a imagino deitada, dormindo. Dormindo porque não morta. Dormindo porque imaginá-la fora da aridez do sono é demais. Já existe um excesso de fé na idéia de que poderia estar ali, serena, eterna. Um excesso de fé na imagem. Eu penso que ela está ali como uma estátua de areia - menos: uma forma na areia. Um acidente qualquer na paisagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;II &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era mais novo, meu pai me levou pra viajar. Lá tudo era ralo e o ocre oco da terra me incomodava a vista. Nunca entendi como pode haver excesso de nada, mas aquele terreno só horizonte, só espera, não era nada - só ausência e poeira presa na vegetação baixa. Eu tinha medo. Que animais se esconderiam na secura abominável dessas bandas? De onde viria o cheiro de água que o azul do céu sussurrava nos ouvidos? A fome. A falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;III &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Ela estaria ali deitada, sonhando para além do meu sonho - porque o que eu imagino não é ela: é o deserto, é o mal. Não o seu corpo jovem deitado, descansando numa tarde quente no Rio, mas a impossibilidade de ela estar lá, sofrível, no mesmo mundo que o Pão de Açúcar e os Arcos da Lapa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não era mesmo o mesmo mundo: Em um evangelho está escrito que o diabo está nos detalhes. Num outro que é deus. O que eu sei é que está nos detalhes. Na curva do morro, no verde gasto dos caminhos, na pupila dilatada do escuro. O fogo de trás da cortina. É isso: ali a cortina está aberta e você olha pro fogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;IV &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Mas a própria lembrança dessa violência, dessa ruína de guerra que se demora infinita nação a dentro, é por si só outra ruína - porque as palavras são tanto, e portanto, tão pouco. A memória é uma palavra. A mulher deitada é uma palavra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;V &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;As cores sem nome de onde pululam as coisas: Se estivesse acordada, o que diria? Que animais se esconderiam na secura abominável do seu sono? De onde exalaria o cheiro de mar que me chega aos olhos e eu choro? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nela há de estar marcada a cartografia do meu desejo. Resta saber para onde é que me guia uma terra sem mapas. Estariam os caminhos marcados num idioma outro que o meu - seria a própria paisagem o código e a senha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;VI &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Imagino o ocaso. Acompanho com a cabeça o sol. Deito meu rosto na terra, como ele. Tudo escurece - e da terra fumegante, pode-se ouvir o sussurro: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“o sertão vai virar mar. o sertão vai virar mar. o ser tão vai vir a amar.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a cama, estática, permanece estática. Um animal que dorme protegido sob a respiração mortífera do fantasma, esse corpo só nuvem e temor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;VII &lt;/b&gt;&lt;br /&gt;Esse sono todo é meu, eu sei. Eu, dos olhos encerados, debaixo da macieira do jardim. Eu, que imagino primeiro os olhos, pra poder te ver. Eu que rezo: Que a definição do teu corpo seja ser tão e tanto, que o pouco que és é a vertigem, a parte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-3503128562643569536?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/3503128562643569536/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2009/02/y.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3503128562643569536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3503128562643569536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2009/02/y.html' title='y)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SaHGDHNhd8I/AAAAAAAAAYk/0A1yLIRaxbU/s72-c/Sertao+txt.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-1331127456453844510</id><published>2009-01-29T09:49:00.010+12:00</published><updated>2009-02-11T01:40:40.971+12:00</updated><title type='text'>x)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SYDWQBJh-bI/AAAAAAAAAUw/rFj7JdjPthA/s1600-h/O+Buraco+da+Fechadura.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 156px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SYDWQBJh-bI/AAAAAAAAAUw/rFj7JdjPthA/s400/O+Buraco+da+Fechadura.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296468732462365106" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Pois a fera que tanto te persegue&lt;br /&gt;não franqueia o caminho ao caminhante,&lt;br /&gt;senão que o veda e mata a quem o segue;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de natureza é vil, é rapinante,&lt;br /&gt;tanto, que o seu desejo não sacia:&lt;br /&gt;come e depois tem bem mais fome que antes.”&lt;br /&gt;(Inferno 94-99, Dante)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa e coloquei meu jantar no microondas. Carregava na pasta a ata da reunião de hoje: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;“Sectus Sectum&lt;br /&gt;Dia 36 do segundo mês do ano de 5027 (27 de Janeiro de 2009, no calendário cristão)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O senhor Augusto Batista está doravante afastado das sessões. Maior cuidado para que não se repita o incidente. Talvez banir o uso de óculos durante as conjurações.&lt;br /&gt;- O novo uniforme é chamativo demais. Trocar dizeres em dourado por outra cor. O senhor Tomas Mariano expôs seu ponto de que não é necessário para os procedimentos que a insígnia esteja escrita nas roupas. Averiguação mais cuidadosa a ser iniciada.&lt;br /&gt;- Conjuração desconhecida encontrada num livro sem capa, pertencente ao senhor Augusto Batista, foi copiada - o que o torna, mais uma vez, desnecessário - e realizada ao final da sessão. Os efeitos mais sensíveis foram a drástica variação de temperatura dentro do círculo do ritual e os furiosos latidos no beco atrás da casa, onde não haviam cachorros.”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu prato de comida não deu nem duas voltas completas na janelinha quando eu percebi que não estava sozinho em casa. Uma mulher, nua, estava de pé no meio da sala. Num primeiro instante, sua nudez me protegeu de entender o perigo que eu corria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu corpo, sob a luz fraca dos abajures, ganhava contornos excessivamente marcados, quase desenhados, e era impossível saber qual era a sua cor. Os cabelos negros e longos não escondiam os estranhos traços do seu rosto. O efeito de um rosto estrangeiro, a falta de familiaridade com as suas proporções, apontava para uma origem oriental. Não: mais ainda. Era uma terceira metade do mundo - nem Ocidente, nem Oriente. E foi então que entendi eu poderia estar em perigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não se colocava como uma intrusa na minha casa. Na verdade, era a primeira vez em que via alguém que só habitava um espaço, e não um apartamento ou uma cidade. Ela estava ali e parecia excessivamente consciente do trabalho mental que eu estava fazendo por de trás dos meus olhos arregalados. Assim que eu alcancei este ponto, ela me disse: &lt;i&gt;Que desejas ouvir e ver, e pelo pensamento aprender a conhecer?&lt;/i&gt; ao que respondi, escutando minha voz muito mais afetada aos ouvidos do que quando na garganta: &lt;i&gt;Quem é você?&lt;/i&gt;. Eu temia aquele momento mais do que podia me fazer compreender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dando um passo para frente, ela me respondeu:&lt;i&gt; Eu sou uma que eu não existe&lt;/i&gt;, o que me deixou muito confuso.&lt;i&gt; O que queres?&lt;/i&gt;, perguntei num tom mais formal - afinal ela era ou não era uma que era, ou não era, o que a colocava certamente numa posição que demandava alguma reverência. Novamente, ela me disse: &lt;i&gt;Que desejas ouvir e ver, e pelo pensamento aprender a conhecer?&lt;/i&gt; repetindo impecavelmente o desenho sonoro da primeira vez que me falou. Como num clarão, compreendi se tratar de um veículo, de uma boca que falava, e não de uma pessoa articulando perguntas e fazendo conversa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem saber exatamente como proceder, ajoelhei-me e falei: &lt;i&gt;Tudo&lt;/i&gt;. Eu juro que ouvi uma leve risada escapar de dentro dela, antes de ouví-la repetir: &lt;i&gt;Que desejas ouvir e ver, e pelo pensamento aprender a conhecer?&lt;/i&gt; e de ser obrigado a compreender - através dessa repetição matraquenta, mecanismo estranhamente familiar ali, saindo daquela forma de mulher - que não havia Tudo a se conhecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A frustração e a raiva sobrepuseram-se uma a outra, e sobre mim, de forma inesperada, eclipsando até a surpresa de estar ali, ajoelhado, frente a uma criatura sem nome. Levantei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deu dois passos na minha direção e me abraçou. Percebi então que ela praticamente respondia à pergunta que ela mesma colocara: O que desejava eu ouvir e ver, e pelo pensamento aprender a conhecer? Ela. Meu corpo reagia como se fossemos duas gengivas a se roçarem, coçando. Balbuciei:&lt;i&gt; Você.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti seu corpo descolando do meu, já empapado de suor, e uma tristeza cansada me envolveu quando senti o ar ventilar ali onde antes ela estava. Eu participava do desvelamento de todas as coisas, mas preferia o momento anterior. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se deitou no chão da sala, sobre o tapete carcomido, e se pôs em uma posição complexa, que exigia extrema precisão e força, fazendo uma espécie de ponte, de barriga para cima, mas com os braços e pernas cruzados. Compreendi, num instante afiado e seco, do que se tratava. De alguma forma, naquela posição seu corpo dizia algo - assim como imagino funcionar a comunicação das abelhas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendi que testemunhava ali as consequências do ritual de mais cedo, na sessão. A temperatura e os latidos haviam sido apenas efeitos colaterais deste encantamento cuja origem nos era desconhecida, encantamento esse retirado de um livro sem capa, apresentado perante o círculo pelo tal Augusto, um cara sempre muito calado, que ficara cego durante a sessão de hoje. Os óculos estouraram na sua cara enquanto ele lia os versos secretos. Devíamos ter suspeitado que algo estava errado, já que nós tão prontamente assumimos isso como uma coincidência. Logo nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O encantamento, sem título, era curto e numa língua desconhecida, e estava escrito em fonemas e não palavras. Era feito para repetir, para a fala, não para a página. Não era a primeira vez que nos expúnhamos a línguas e versos que não entendíamos, mas também não teria sido a primeira vez em que nada acontecia e nós voltávamos para casa e para os livros, em busca de algum outro verso ou língua. Em todo caso, naquele momento, eu tinha na sala de estar uma mulher nua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o rosto de ponta-cabeça, ela se virou para mim, estranhamente parecida com um animal - o rosto assentado ao contrário, como se assim o fosse originalmente - e esperou que eu fizesse algo. Me agachei do seu lado. Ela se mostrava para mim. Queria que eu percebesse quão pouco faltava para que sua pele começasse a evaporar, quão pouco faltava para que a leve penugem que a cobria se transformasse em névoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com cuidado, apoiei a palma da minha mão sobre o seu ventre. Ela se deixou cair, por sobre os braços e pernas, num gesto inconcebível. Em seguida, se re-organizou velozmente numa nova posição, sentada com as costas retas e os braços e pernas em círculo, como se estivesse abraçada a um tronco. Novamente - se mostrando para mim - abaixou a cabeça, deixando visível seu pescoço. Coloquei a palma da mão em sua nuca e fechei meus dedos em torno de seu pescoço. Ela deu um leve grito, eufórica. Eu não fazia a menor idéia do que estava acontecendo. Tentava me lembrar de referências a esse processo em algum dos grandes Livros, mas nada vinha à mente. Mais uma vez ela se mexeu - parecia que seu corpo era vários corpos, se reagrupando, como alguém que surge de dentro da neblina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou dessa vez completamente estirada no chão, com os braços esticados, as mãos entrelaçadas e as palmas dos pés se encostando, em forma de oito. Ela me apresentava seu corpo como se fosse uma advinha. Antes de encostar nela e perdê-la na sua própria desorganização, perguntei por impulso:&lt;i&gt; És a chave?&lt;/i&gt; Ela riu. Me parecera uma pergunta bastante coerente. Para um ser imortal de outra dimensão  até que ela era irritantemente debochada. Sem saber o que fazer, apoiei um braço no vão entre as suas pernas, e outro entre os seus braços. Ela me observava quase divertidamente. &lt;i&gt;Eu sou a fechadura. &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da vontade de eqüivaler ‘chave’ e ‘pica’ que subitamente me ocorreu, num torpor iridescente, o tom virginal da sua voz eliminava qualquer conotação sexual - uma falta de metáfora que ocupava o lugar para o qual todas as metáforas apontam, uma literalidade impossível. E, assim que o apito do microondas varou o ar como o uivo estridente, eu percebi que se eqüivalesse minha vontade com o meu desejo, poria tudo a perder. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela girou rapidamente e parou numa nova posição, oferecendo o pé ao toque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que eu sentisse que essa era a experiência mais sexual de toda a minha vida, não deixava de sentir uma ligeira frustração por debaixo da pele: Então é assim que é pra se sentir quando se tem a experiência mais sexual de toda uma vida. Quase sem toques, um jogo de encaixe entre palavras e não corpos. Agora eu entendia melhor como agir. Ela era a fechadura, era a superfície em que eu escrevia a senha, não a porta, não a portadora. E ela me olhava, convidativa, e me mostrava o pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que encostei no seu pé percebi que alguma coisa não estava certa. Seu rosto, antes levemente entretido com a minha insegurança, se fechou, e ela se encolheu, puxando a perna de volta. Tentei entender se aquela era a próxima posição, mas ela não só não olhava para mim, como olhava para uma estranha criatura que grunhia atrás de mim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como uma gota d’água escorrendo por uma linha, eu pude perceber meu pensamento percorrendo seu rosto, seus olhos, meu pensamento sendo remetido para a direção do seu olhar, meu pensamento reparando no enorme e peludo monstro que surgira logo do meu lado, com olhos vermelhos que escorriam continuamente do rosto, melando o meu tapete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei um salto e me levantei. A criatura rosnava como se tentasse articular palavras e lutasse contra sua própria voz. Parecia ser bípede, mas ficava de quatro mesmo assim. Os pelos encardidos e grossos lhe davam a aparência de um macaco, enquanto os dentes e o focinho coloriam-no como um cachorro ou rato. Ela observava o demônio com apreensão - me ocorreu então que o bicho talvez fosse uma ameaça para nós dois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com cuidado, sem deixar de encarar o monstro nos olhos, me estiquei na direção dela e segurei seu braço pelo cotovelo, forçando ela a se levantar. O demônio rosnou alto e pulou como um gato para cima da mesinha de centro, preparando furiosamente o ataque. Ela se levantou e eu a puxei em direção à porta no mesmo momento em que a criatura avançou ferozmente para cima de nós, dando de cara na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saímos e eu fechei a porta. Podia ouvir lá dentro o monstro urrando e destruindo todo o meu apartamento. Olhando para a mulher que estava na minha frente, quieta e esperando, pensei que talvez eu tivesse aberto a porta errada - ou, ainda, que ela mesma não soubesse o que estava sendo guardado ali. Nos entreolhamos por mais um instante e então eu tirei minha blusa e cobri seu corpo nu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-1331127456453844510?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/1331127456453844510/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2009/01/x.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/1331127456453844510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/1331127456453844510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2009/01/x.html' title='x)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SYDWQBJh-bI/AAAAAAAAAUw/rFj7JdjPthA/s72-c/O+Buraco+da+Fechadura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-2455670643043040404</id><published>2008-12-11T10:36:00.013+12:00</published><updated>2009-02-11T01:48:48.688+12:00</updated><title type='text'>v)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SUBLN2xW6sI/AAAAAAAAATc/ZB8nNc5mB5k/s1600-h/DEPOIS.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 318px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SUBLN2xW6sI/AAAAAAAAATc/ZB8nNc5mB5k/s320/DEPOIS.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278301464691141314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     &lt;i&gt;“Tendo o Nada partido, resta o castelo da pureza”&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;0. Primeiro, nada acontecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;0.1 Quando aconteceu, alguns estavam em casa, já dormindo. Outros dançavam em discotecas - o som alto e grave comprimindo os corpos para o centro da pista. Havia muitos andando e muitos mais nos carros, no trânsito. Alguns dos que antes dançavam, estavam agora nos bares, e o contrário também era verdadeiro. Muitos estavam ao telefone e muitos mais vendo televisão. Poucos olhavam para o céu, e menos ainda para o chão. Alguns falavam e outros escutavam, mas não necessariamente as mesmas coisas. Quase ninguém morria doente, assassinado ou em acidentes naquele momento. E era velado a todos o que aconteceria, e que aconteceu, quando aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. Depois, não sobrou quase nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.1 Quando a água desceu, quando o fogo sumiu, quando a terra cedeu e o ar tomou o vazio, as cidades apareceram novamente. Mas o que apareceu era o semblante da cidade, o semblante no lugar do que antes ali havia. Ao invés de um prédio, somente as vigas necessárias para sustentar ali como lugar do prédio. E tudo era a sombra do que era antes, sem ser o que antes se era. Só a sobra e a sombra. Algumas ruínas e poucos sobreviventes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.2 Depois: num certo lugar: um palco vazio feito de terra e casas destruídas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Não se sabe a história de R.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.1 R. vem caminhando, cambaleante, por entre os escombros. Ele está com sede e muito cansado. Seu cansaço vence lentamente suas pernas e R. vai ao chão, desmaiado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.2 Enquanto R. está caído no chão, X. se aproxima e aponta uma arma na sua cara, para ter certeza de que não se trata de uma ameaça. R. permanece no chão, desmaiado. X. então percebe que não se trata de uma ameaça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.3 X. carrega R. para a sua casa, deixando que R. descanse e se alimente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.3.1 A casa de X. é um casebre desmoronado, com uma cama e algumas caixas de comida estocadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. R. acorda e descobre ter sido socorrido por X.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.1 X. oferece comida e abrigo para R., desde que, em troca, R. trabalhe para X., catando e organizando o lixo. R. aceita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2 R. e X. se tornam amigos e conversam sobre antes durante um jantar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2.1 R. conta que trabalhava num cinema, que estava na sala de projeção quando tudo aconteceu. Ele teve a impressão de que desmaiava e que o seu desmaio distorcia a sala de projeção, como se ele estivesse nauseado e o mundo se curvasse frente ao seu enjôo. Primeiro a causa no corpo, depois o mundo ruindo. Quando voltou a si, estava preso entre ferragens e não havia mais cinema. Estava a céu aberto e o azul claro do céu vazava sobre a ruína do teatro, mantendo a morte separada dos corpos espalhados nas pedras. Tudo era silencioso e claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2.2 X. morava no mesmo casebre em que agora mora. Antes chamava de casebre, como agora também chama. Catava comida do lixo e dormia com frio, como ainda faz, mesmo depois. Ele estava dormindo quando veio, e acordou quando tudo estava ao chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2.2.1 Tivesse ele bebido um pouco mais naquela noite, teria sido uma noite qualquer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.2.2.2 Ele ainda chama de lixo o que agora leva o nome de resto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. R. trabalha para X., catando e organizando o lixo, procurando algo que ainda tenha uso possível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4.1 Um dia, trabalhando, R. encontra algo de útil entre os restos de uma casa. Satisfeito, ele levanta e olha em volta. O céu está azul e o mundo, silencioso. Por um segundo, R. está feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. R. está trabalhando para X., catando e organizando o lixo, quando vê J., caminhando entre os restos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.0.1 J. caminha entre os restos, com uma mochila nas costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.1 J. se aproxima de R., que está surpreso por encontrar alguém que não X. Os dois conversam e J. explica que está indo para o Espírito Santo. R. reclama e diz que existem poucas chances de existirem outros sobreviventes, mas J. argumenta que isso não vem ao caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.1.1 A posição de R. é: Por que se arriscar num mundo que agora é muito mais perigoso e difícil, quando se pode aproveitar a sorte de ter encontrado abrigo, o que é algo bastante improvável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.1.1.1 Sua posição é: Algo aconteceu, mas ainda há como viver como se não tivesse acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.1.2 A posição de J. é: É um momento de entusiasmo na História e ela tem vontade de se aventurar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.1.2.1 Sua posição é: Algo aconteceu e há mais risco em viver a vida como se o Novo não existisse, do que assumir o risco de estar a altura do que o Novo é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.2 Os dois caminham juntos e se sentam entre os destroços. R. pergunta para J. sobre a sua vida. Ela conta que era cantora de apoio num grupo que se apresentava em bares e pequenas casas de show. Na Hora, ela estava na praia com as amigas, comemorando o aniversário de uma delas. Estavam sentadas na areia, conversando. Logo depois, ela acordou dentro do mar, sem saber aonde era a costa. Atordoada, deixou-se afundar por um minuto, mas percebeu que ainda tinha forças no corpo. Em seguida, olhou em volta e encontrou a cidade. Uma mancha escura, porém opaca, sob o escuro transparente da noite. Enquanto nadava de volta, teve dois pensamentos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.2.1 Não estou nadando para a mesma cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.2.2 Eu estava pronta para isso, e não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.3 R. pede então que J. cante uma música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.3.1 Ela canta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Eu carrego o meu corpo&lt;br /&gt;pra onde ele me levar&lt;br /&gt;Eu sou só na minha voz&lt;br /&gt;É na voz que eu faço lar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando você me beijou&lt;br /&gt;eu pensei que fosse morrer&lt;br /&gt;Não sabia que duas bocas podiam&lt;br /&gt;Fazer música sem se mexer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantar sem fazer som:&lt;br /&gt;o amor me faz dizer sim com o corpo.&lt;br /&gt;E declarar o amor é um dom:&lt;br /&gt;é fazer da tormenta do mar, um porto.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.4 J. pergunta se R. pode arranjar alguma comida para ela levar no resto da viagem. R. diz que consegue alguma coisa com X., seu amigo, com quem mora ali por perto. Por um momento, existe um olhar entre os dois. R. sorri. J. responde, divertida com a própria aspereza, que mesmo que R. fosse o último homem no mundo, eles não vão transar. R. rumina a ironia da situação, imaginando se deveria contar X. como um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. R. volta para o casebre e pega comida para J. X. vê o que R. está fazendo e pergunta o que está acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.1 R. explica que está pegando comida para uma mulher que conheceu, e que os dois vão para o Espírito Santo. X. diz que R. não pode ir, porque R. deve demais a X., pelo abrigo e pela comida - afinal ele é preguiçoso e seu trabalho não equivale ao que ele recebe em troca. R. fica surpreso com X. e não leva a sério o que ele diz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6.2 X. aponta uma arma para R. e manda que ele não vá embora. Apavorado, R. diz que não irá, que só vai fazer um pequeno lanche lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. R. e J. comem juntos, sentados entre ruínas. J. fala que a comida não é suficiente para a viagem, e R. diz que vai conseguir mais, e que ele quer ir com ela. J. diz que ela vai partir no dia seguinte de manhã e que os dois poderiam se encontrar bem cedo ali mesmo. Os dois terminam de comer em silêncio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. R. volta para o casebre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.1 X. já está dormindo. R. hesita por um momento, antes de pegar a arma dentro de um caixote e matar X.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8.2 X. está morto. R. se senta no chão e entende que o casebre agora é seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. R. encontra J. no lugar combinado, carregando alguns pacotes de comida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.1 Ele entrega a comida e diz que não vai com ela, porque ele tem casa e comida ali e não quer arriscar perder tudo. Além do que, X. não está mais lá e ele é dono do lugar agora. R. pergunta se J. não quer ficar com ele., mas J. diz que não, ela vai seguir viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.1.1 R. fica desapontado, pois esperava que sua nova condição fosse ser razão suficiente para que J. ficasse com ele, assim como é razão suficiente para que ele fique.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9.2 J. e R. se despedem e J. vai embora, com uma tristeza no corpo, que caminha devagar pela paisagem, e uma alegria violenta e descabida, sempre um passo a sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. O tempo passa e R. é dono de seu casebre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.01 Agora, R. chama o casebre de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.1 R. está trabalhando, catando coisas do lixo. Ele volta para casa e senta do lado de fora para comer. O céu continua da mesma cor, o mesmo azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.1.1 Mas está tudo mais silencioso que o normal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.2 R. termina de almoçar e se levanta para caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10.2.1 R. caminha para longe e, sob a égide insuspeita de um gesto sem sombra, nunca mais voltará.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-2455670643043040404?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/2455670643043040404/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/12/v.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/2455670643043040404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/2455670643043040404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/12/v.html' title='v)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SUBLN2xW6sI/AAAAAAAAATc/ZB8nNc5mB5k/s72-c/DEPOIS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-3091818002424993734</id><published>2008-10-27T01:21:00.008+12:00</published><updated>2008-12-11T11:11:20.804+12:00</updated><title type='text'>u)</title><content type='html'>Estou deitado na cama, dormindo. Na hora grave, um sol eclipsado, cego, mancha o azul inexistente do céu com violeta e amarelo. Através da cortina entreaberta entra essa luz oscilante, ruidosa como o ranger de dentes. Meu quarto fica assim suspenso num outro tempo, ditado pela eternidade sinuosa da hora grave. Aqui, o tempo sussurra sem som: Estou aqui, eu me alcancei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse lugar, em que o horror do instante ganha corpo e tudo está morto e vivo ao mesmo tempo, eu estou deitado na cama. A boca, ouvidos e olhos, inúteis, coçam como se alguém os desenhasse em mim e eu me reconheço somente como o peso no colchão. Tudo o mais coincide comigo ou não, descansando onde estou ou pelo resto do quarto, que também coça, estaticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruscamente, um ruído que eu não escutava, mas sabia estar lá, se transforma em passos pela minha casa. Escuto as portas abrindo e fechando e passos de quatro ou cinco pessoas. Essas pessoas conversam e sussurram entre si, numa língua que eu não conheço. São ladrões. Estão procurando alguma coisa pela casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já não podia me mexer antes, mas agora que percebo não poder, fico aterrorizado. Se eles entrarem no quarto, eu não vou poder me defender. A luz que entra pela janela é um lusco-fusco invertido, uma meia-luz que não pertence a nenhuma das metades do dia, e, de repente, me dou conta de que eu posso ter sido condenado a estar aqui e agora, para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, escuto passos se aproximando. Do canto dos olhos eu vejo um braço que entra pela porta, mas não consigo ver a quem pertence. A mão bate três vezes na parede, chamando minha atenção, e em seguida faz um sinal de positivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;xxx&lt;/i&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SQRvAB4AX-I/AAAAAAAAASk/nya4rEZYnNU/s1600-h/NUAN%C3%A7AS.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 313px; height: 320px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SQRvAB4AX-I/AAAAAAAAASk/nya4rEZYnNU/s320/NUAN%C3%A7AS.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261452310969606114" /&gt;&lt;/a&gt;Acordo, como quem desmaia. Está bem cedo ainda. Moro em Londres e o dia nublado e chuvoso absorve boa parte da luminosidade. Aqui os dias são uma longa hora e as sombras são nuanças. Sento na cama e deixo o sono escorrer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subitamente, congelo, paralisado de medo. Meu silêncio casual e morno é cortado pela lâmina mortal de um outro silêncio, grave e desumano, em que eu escuto, incrédulo, a ausência daqueles passos e sussurros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-3091818002424993734?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/3091818002424993734/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/u.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3091818002424993734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3091818002424993734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/u.html' title='u)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SQRvAB4AX-I/AAAAAAAAASk/nya4rEZYnNU/s72-c/NUAN%C3%A7AS.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-7648609717741223470</id><published>2008-10-24T10:49:00.005+13:00</published><updated>2008-12-11T11:11:52.572+12:00</updated><title type='text'>t)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SQDzHvhkcRI/AAAAAAAAASU/5VNvmJYgnKM/s1600-h/Fantasia+Edson+fragmento.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 311px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SQDzHvhkcRI/AAAAAAAAASU/5VNvmJYgnKM/s320/Fantasia+Edson+fragmento.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260471679110639890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(fragmento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom dia, Coelhinhas do Rio.&lt;br /&gt;Oi, de onde fala?&lt;br /&gt;Coelhinhas do Rio. Quem fala?&lt;br /&gt;Eh, meu nome é João.&lt;br /&gt;Pois não, senhor João.&lt;br /&gt;Qual o serviço que vocês oferecem?&lt;br /&gt;Coelhinhas do Rio possui uma gama de modelos e artistas para serviços de acompanhante e animação de festas infantis.&lt;br /&gt;Ah sim. Eu gostaria de marcar um encontro com uma acompanhante.&lt;br /&gt;O senhor visitou o nosso site?&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Gostaria que eu descrevesse algumas de nossas coelhinhas?&lt;br /&gt;Por favor.&lt;br /&gt;Bem. Yasmin é uma linda e alta loira, do tipo gostosona, peituda. Ela adora chupar pica e faz de tudo, menos anal. Fantasias e acessórios por conta do cliente.&lt;br /&gt;Ahn.&lt;br /&gt;Tem a Mirelle, que é uma gatinha manhosa. Morena e mignon, faz qualquer coisa para agradar. Vinda do interior, Mirelle é carinhosa e discreta, mas gosta de ser dominada e de apanhar - de levinho.&lt;br /&gt;Hm. Quem mais?&lt;br /&gt;Belara é uma nega selvagem, vadia, vagabunda. Puta mesmo. Acostumada a dar conta de três, quatro clientes de uma vez, num pacote especial. Você pode tratar ela como um cachorro, cuspir na cara e tudo mais. Tem a Diane, que é bem safadinha, lolita, tem carinha de criança e faz o seu pau parecer enorme na mão dela. Tem a Selene, a Tamisa...a Tamisa realmente faz animação em festa de criança, se você quiser.&lt;br /&gt;Estou em dúvida.&lt;br /&gt;O senhor tem alguma coisa específica em mente?&lt;br /&gt;Hm. Você tem alguma que tenha em torno de um metro e sessenta e cinco, uns 24 anos, seja morena, de pele bem branquinha, magra, com muitas pintas, olhos amendoados...uma cicatriz no ombro direito...&lt;br /&gt;Deixa eu pensar...tem a Damaris. Damaris é uma gata quente, sedenta por sexo. Seu corpo perfeito e delicioso tem como único propósito dar prazer. Se você gosta de uma ninfetinha safada que vai sugar toda a sua porra, você encontrou a mulher dos seus sonhos!&lt;br /&gt;Ahn.&lt;br /&gt;...e ela tem uma cicatriz no ombro direito.&lt;br /&gt;Por acaso o nome dela é Miranda Coelho Neto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um segundo, querido. Vou te passar para a gerente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edson pára de andar de um lado para o outro e se apóia contra a estreita bancada do gaveteiro. O móvel range sofregamente com o peso do seu corpo. Do lado de fora vem primeiro o som de uma freada brusca, com buzinas, seguido do canto breve de um pássaro indefinido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alou? Senhor João?&lt;br /&gt;Meu nome é Edson.&lt;br /&gt;Fui informada de que o senhor está interessado em contratar os serviços de Damaris.&lt;br /&gt;Isso, Miranda.&lt;br /&gt;Então. O senhor é amigo pessoal?&lt;br /&gt;Não, só quero marcar um encontro.&lt;br /&gt;Para quando?&lt;br /&gt;Hoje à noite.&lt;br /&gt;Ela não está disponível no momento, senhor Edson. Se o senhor não se importar, podemos já deixar marcado para amanhã ou depois, ou então o senhor pode escolher outra de nossas seletas acompanhantes. Você sabe, Belara é uma nega selvagem, vadia, vagab..&lt;br /&gt;Sim, sim...já entendi. Qual o seu nome?&lt;br /&gt;É Mara.&lt;br /&gt;Mara, sou investigador de polícia. Me chamo Edson Caetano.&lt;br /&gt;Ah. Entendo. Pois não, o senhor quer desconto?&lt;br /&gt;Estou ligando porque preciso de informações relacionadas a Miranda Coelho Neto.&lt;br /&gt;Ela não está.&lt;br /&gt;Eu sei. Ela foi assassinada ontem à noite.&lt;br /&gt;Ai meu deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mara desliga o telefone. Edson respira fundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom dia, Coelhinhas do Rio.&lt;br /&gt;Sou eu de novo. Passa para a Mara.&lt;br /&gt;Pois não, senhor João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alou?&lt;br /&gt;Mara?&lt;br /&gt;Não. Meu nome é Dilma, sou a dona. Senhor Edson, fui informada que Damaris foi assassinada.&lt;br /&gt;Sim, é verdade.&lt;br /&gt;O senhor me desculpe pela Mara. Ela está trancada no banheiro. Ela e Damaris eram muito próximas.&lt;br /&gt;Entendo, sem problemas.&lt;br /&gt;Mas o que aconteceu com ela?&lt;br /&gt;Encontramos a vítima estrangulada num quarto de motel hoje de manhã.&lt;br /&gt;Motel Style.&lt;br /&gt;Isso. A perícia ainda está averiguando o local e as evidências. É um crime horrível, eu sinto muitíssimo.&lt;br /&gt;A família sabe? Sabem do trabalho dela?&lt;br /&gt;Sabem, conversei com eles.&lt;br /&gt;Hm.&lt;br /&gt;Dilma, eu preciso urgentemente do nome e do telefone do último cliente dela. É o nosso principal suspeito.&lt;br /&gt;Lamento muito, Edson, mas não posso te dar essas informações.&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;Não posso.&lt;br /&gt;Você tem de colaborar com a polícia.&lt;br /&gt;Edson. Posso ser franca com o você, querido? Damaris não é a primeira puta daqui que morre. Não posso arriscar fecharem o meu estabelecimento por causa de uma menina.&lt;br /&gt;Mas eu posso mandar fechar essa porra!&lt;br /&gt;Não me faça rir. Olha, tomara que vocês peguem o filha da puta e ele seja currado na prisão. E morra. É por isso que eu não faço mais pista. O que antes era inefável nas meninas agora o cliente tenta arrancar a força, como se desse para espremer a puta até aparecer o  que ele quer. Ninguém quer gozar mais, mas ficam querendo que a gente engula a porra toda. Eu torço muito mesmo para que vocês prendam o culpado, mas você e eu sabemos que para isso acontecer a gente teria que torcer por muitas outras coisas antes.&lt;br /&gt;Dona Dilma...por favor.&lt;br /&gt;Não. Não me peça novamente. E boa sorte, querido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-7648609717741223470?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/7648609717741223470/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/t.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/7648609717741223470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/7648609717741223470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/t.html' title='t)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SQDzHvhkcRI/AAAAAAAAASU/5VNvmJYgnKM/s72-c/Fantasia+Edson+fragmento.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-7484441538862344907</id><published>2008-10-10T06:02:00.009+13:00</published><updated>2008-10-14T05:32:04.035+13:00</updated><title type='text'>s)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SO45Tc80kuI/AAAAAAAAASE/4V74RUVmgVM/s1600-h/Mary+Fiddlesworth.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SO45Tc80kuI/AAAAAAAAASE/4V74RUVmgVM/s320/Mary+Fiddlesworth.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5255200821539541730" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Para Clarke e Asimov&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou no laboratório da Universidade. Sou estrangeiro e saí do meu país para poder prosseguir com minha pesquisa. Lá, na minha terra natal, alguns dos experimentos que tenho de realizar para comprovar as minhas hipóteses são proibidos. Aqui não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei cedo ao laboratório. Na falta de estímulo para socializar com os outros pesquisadores, eu acredito que o tempo que passo sozinho antes de todo mundo chegar pode ser deduzido no final do dia, quando se formam algumas rodas de conversa na frente do prédio e todos saem para tomar uma cerveja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São onze e meia da manhã e o dia lá fora parece chuvoso. O nosso laboratório é no subsolo do departamento de física experimental, do qual sou o coordenador internacional. Não temos janelas e minha suspeita de mal tempo é baseada somente no barulho distante e repetido de uma gota no ar condicionado da ante-sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary, minha assistente, termina os últimos preparos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meu país as coisas eram muito diferentes. Extra-oficialmente, nós chegamos a fazer alguns dos testes. Num mendigo. Achei ele do lado de fora do prédio da minha ex-mulher. Ele fora atropelado ou apanhara de alguém. Eu o levei para o nosso laboratório - improvisado numa ala abandonada do prédio de zoologia - e chamei o resto da equipe. Antes mesmo do sol subir nós já sabíamos que era verdade. Não havia atividade cerebral o suficiente para verificarmos com total certeza, mas, ainda assim, nosso trabalho de quase uma década se mostrava confirmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pouco tempo depois me mudei para cá. Eu sabia que agora era só uma questão de tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary já realizou a primeira incisão e está terminando de serrar o osso frontal, deixando exposto o cérebro do homem. A precisão insuperável do trabalho de Marianne Fiddlesworth me enche não só de segurança frente aos desafios desse procedimento, mas também não me deixa esquecer de porque traio minha esposa duas vezes por semana com essa mulher extremamente habilidosa com as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próximo passo é realizado por mim e mais um especialista. Cada um aparafusa um parafuso de titânio, oco, atravessando a área posterior e a anterior dos lobos parietais, alojando-se na área de Wernicke e na de Broca - convenientemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por dentro dos parafusos, fazemos uma eletroforese em gel usando um composto desenvolvido por mim, feito a base de agarose e TBE. A diferença - e nisso reside boa parte de meu atual renome - foi ter misturado um amido retirado da mandioca à já conhecida solução, que hoje leva o meu nome, antes de fundir e adicionar o brometo de etídio. Sem este gel seria impossível a coleta de dados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, ligamos aos parafusos os computadores que fazem a leitura e interpretação dos impulsos recebidos. A minúscula corrente que passa pelos conduítes já é suficiente para que o homem comece a fazer movimentos involuntários, abrindo e fechando os olhos, tremendo levemente e forçando as mãos contra a mesa de cirurgia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A função dos computadores é receber os impulsos elétricos enviados através dos parafusos e organizá-los segundo a interface linguística desenvolvida por Voight-Kampf. Esse sistema não só lhe rendeu o prêmio Nobel, como uma grande soma de dinheiro ao vender a tecnologia para o exército.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tão imprescindível quanto esse avançadíssimo sistema de coleta e interpretação de impulsos nervosos é o composto gelatinoso que vai dentro dos parafusos. Foi o meu primeiro grande avanço no campo da tecnologia neuro-biológica. Por ser excessivamente sensível as menores variações, é o conduíte perfeito para nossos experimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que meu segundo grande passo foi a descoberta de que as informações relacionadas à linguagem e ao pensamento articulado não são fruto de sinapses e áreas do cérebro especificas, mas de um resíduo, um ruído elétrico insignificante, que fica em surdina em toda mensagem do sistema nervoso, mais facilmente identificável nas áreas de Broca e Wernicke. Espero concorrer ao Nobel este ano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com a possibilidade de medir os impulsos elétricos com tamanha precisão, podemos isolar essas micro-oscilações e então interpretar os dados através dos computadores de Voight-Kampf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo está instalado corretamente e agora podemos prosseguir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço para Mary que aumente a corrente. Rapidamente os primeiros resultados aparecem. O sujeito começa a falar, mesmo de boca fechada. As outras contrações e espasmos param. Quando diminuímos a intensidade, a fala pára.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programamos os computadores para começar a traduzir. Agora, quando aumentamos a intensidade novamente, algumas letras desconexas começam a aparecer no monitor. Essas palavras inexistentes começam a dar lugar para expressões com sentido e, depois, frases completas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num gesto descuidado e eufórico, me debruço sobre seu corpo e separo os lábios do voluntário - assumo que tenha sido voluntário, não participei do processo de seleção da cobaia - para poder entender o que ele diz. Aproximo meu ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“eu nunca fui a praia”&lt;br /&gt;“a areia quente deve machucar os pés”&lt;br /&gt;“mas você pode descansar os pés na água do mar”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O grito agudo e juvenil de Mary e dos assistentes me desconcentra. Desvio minha atenção de volta para o monitor. Lá está escrito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;reth ommytd dsdh asfdsg&lt;br /&gt;fjas as assas isi asa au&lt;br /&gt;aumfau feijão feijão eija reija&lt;br /&gt;reija giiiuuu eu nunca &lt;br /&gt;eu nunca fui a praia&lt;br /&gt;a areia quente deve machucar os pés&lt;br /&gt;mas você pode descansar os pés na água do mar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal posso conter a euforia. Mas o momento é crítico. Para a confirmação final, precisamos que ele esteja desperto e consciente. Com uma pressa cortante, peço concentração aos meus colegas e mando que apliquem o coquetel para acordar o homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cinco minutos que se seguem são de grande nervosismo e apreensão. Observo o homem acordando, confuso e anestesiado, tentando compreender aonde está. Não me aproximo, enquanto Mary explica de forma eufemista o que está acontecendo. Seu sorriso  desajeitado e sua escolha de palavras - como se falasse com um retardado - me enchem de ciúme. Aquela puta está dando em cima do retardado, na minha frente. Observo com certa satisfação como o homem responde literalmente como um retardado, fazendo pequenos movimentos com a cabeça - os únicos que consegue - e sorrindo e babando como um cachorro. Deixo escapar uma curta risada. Ninguém mais parece achar graça. O homem volta a falar sem controle - o que parece ser bastante angustiante para ele, que não consegue controlar sua própria boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Voight-Kampf começa a trabalhar freneticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Quando eu caminhar na areia vou tomar cuidado com os cacos de vidro”&lt;br /&gt;Quando eu caminhar na areia vou tomar cuidado com os cacos de vidro.&lt;br /&gt;“Se você cortar o pé na areia, pode lavar o sangue na água do mar”&lt;br /&gt;Se você cortar o pé na areia, pode lavar o sangue na água do mar.&lt;br /&gt;“Quero enfiar meu pau na areia da praia. Num castelo de areia”&lt;br /&gt;Quero enfiar meu pau na areia da praia. Num castelo de areia.&lt;br /&gt;Meu deus, o que está acontecendo?&lt;br /&gt;Aquela puta está dando em cima do retardado, na minha frente.&lt;br /&gt;Puta merda, o que é isso?&lt;br /&gt;Será que o doutor sabe o que está havendo?&lt;br /&gt;Caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus joelhos tremem e eu quase desmaio. O homem não está falando. No monitor, entre duas frases que ninguém disse, está escrito:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela puta está dando em cima do retardado, na minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pensei isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, no monitor - que continua desfilando frases desconexas - aparece:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pobre coitado. Ele vai morrer com certeza.&lt;br /&gt;Está na hora de aplicar a segunda dose...acho.&lt;br /&gt;Eu pensei isso.&lt;br /&gt;O que está acontecendo, meu deus. Esse monitor....&lt;br /&gt;Meu deus, o monitor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha pressão baixa vertiginosamente. Me apoio na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Meu deus”&lt;br /&gt;Meu deus.&lt;br /&gt;“Doutor, você está bem?”&lt;br /&gt;Doutor, você está bem?&lt;br /&gt;“Estou, Mary. Estou bem.”&lt;br /&gt;Estou, Mary. Estou bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary olha para o monitor e arregala os olhos, pálida. Os assistentes estão em torno do homem, tentando entender porque ele não está falando. Eu me aproximo da tela do Voight-Kampf.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu deus. Está lendo tudo.&lt;br /&gt;Meu deus. Está lendo tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me volto para Mary - por um segundo fico preocupado pensando se ela tem idéia do que está acontecendo, e se entendeu que eu de fato pensei aquilo sobre o retardado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ela tem idéia do que está acontencendo? A coisa do retardado...&lt;br /&gt;Será que ela tem idéia do que está acontencendo? A coisa do retardado...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Volto a olhar o monitor e tomo um susto com a confirmação que meu pensamento está de fato escrito na tela. O meu e o de todos os presentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fluxo de frases começa a aumentar. Quanto mais eu tento entender o que se passa, mais texto passa na tela do computador. Os assistentes, em pânico, começam a falar sozinhos. O fluxo cresce exponencialmente. O computador começa a apitar e, de tão rápido, escuto o processador girando dentro da máquina. Não é mais possível ler o que acontece na tela, de tão rápido que se escrevem as frases. Me parece que tanta informação assim não pode vir somente desta sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem entra em choque. Mary começa a chorar. O apito da máquina fica insuportável. Em um movimento explosivo, o homem começa a se debater, espumando e sangrando tanto pela boca como pelos ouvidos, olhos e nariz. Um cheiro forte de queimado sai do computador, mas ele não pára de acelerar. Na tela, passam tão rápido as palavras que o texto mais parece uma interferência eletromagnética, fazendo o monitor pulsar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois assistentes saem da sala para chamar ajuda, mas eu sei que ninguém vai vir. Já contávamos com a morte do cobaia, na verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O apito se torna um ruído agudo e contínuo e diminui de intensidade, ficando quase mascarado pelo apitar dos outros equipamentos. Tecnicamente, esse homem está morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mary está no chão, paralisada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tento encostar no homem, mas, quando o faço, o barulho do Voight-Kampf se torna ensurdecedor novamente, como se criássemos uma microfonia entre nós dois. Tenho a intuição de que a máquina colapsa, pois se entro em contato direto com o sujeito, os dados se infinitizam, num pleonasmo ad eternum. O mesmo ocorre se tento desligar a máquina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O ruído volta a uma intensidade suportável. Escuto agora o choro desesperado de Mary. Pego ela pelo braço e saímos dali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subimos as escadas de incêndio e sentamos na calçada. Já está escuro. Um carro preto pára perto da entrada do prédio e três oficiais do governo entram pela porta que acabamos de sair. Ao fundo, escuto o barulho abafado dos computadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo o braço em torno de Mary - Marianne Fiddlesworth. Pobrezinha, está em choque. Eu também estou confuso. Não sei medir a extensão do que acaba de acontecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encosto meu rosto nos seus cabelos loiros e respiro profundamente. Estranho. Não sinto cheiro algum. No céu, as estrelas começam a se apagar, uma a uma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-7484441538862344907?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/7484441538862344907/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/s.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/7484441538862344907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/7484441538862344907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/s.html' title='s)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SO45Tc80kuI/AAAAAAAAASE/4V74RUVmgVM/s72-c/Mary+Fiddlesworth.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-820469109573064300</id><published>2008-10-08T08:39:00.004+13:00</published><updated>2008-10-08T08:45:05.800+13:00</updated><title type='text'>r)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SOu7lITSGqI/AAAAAAAAAR8/24LuW6hEwmo/s1600-h/Mon%C3%B3logo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SOu7lITSGqI/AAAAAAAAAR8/24LuW6hEwmo/s320/Mon%C3%B3logo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254499636815731362" /&gt;&lt;/a&gt;Não fui eu. Eu te asseguro, inspetor. Eu posso...Eu juro. Por essa bíblia aqui. &lt;br /&gt;Por que o senhor está me olhando assim? Me desculpe - Eu não sabia que a bíblia era sua. &lt;br /&gt;Mas você tem que acreditar em mim. Não fui eu. Eu já expliquei - Eu expliquei para eles. &lt;br /&gt;Eu cheguei depois. Ela estava no chão - tinha sangue por todo lado. Eu não sei. &lt;br /&gt;Eu cheguei depois e - de repente - eu estava com ela, segurando ela nos meus braços.&lt;br /&gt;Eu não sei porque encostei no corpo. Eu não estava assustado. Eu não sei por quê. Eu não devia encostar, eu sei.&lt;br /&gt;Essa situação...&lt;br /&gt;Eu sei que não fiz nada, mas eu entendo - vocês tem que checar. Você não acredita em mim.&lt;br /&gt;Eu não sei por que, inspetor: Eu não senti nada. Eu não pensei em ligar para ninguém. Você pode perguntar pra quem quiser, ela era a minha... todo mundo sabe - eu a amava muito. Até eu estou duvidando disso agora. Eu não senti nada. Eu não sei por que encostei no corpo, segurei ela. Eu não consegui ficar ali, de pé. Eu tinha que - deus.&lt;br /&gt;Você sabe - inspetor - senhor - Você sabe que que é engraçado? Eu me sinto tão - Me sinto tão envergonhado. Eu não sei como explicar. Eu sei que estou dizendo a verdade, mas eu consigo escutar que não estou sendo convincente. &lt;br /&gt;Meu Deus. Ela está morta. Eu tive ela em meus braços, senhor. Antes, eu digo. &lt;br /&gt;Eu a amava. Agora é tão estranho estar aqui.&lt;br /&gt; Essa luz no meu rosto, senhor - Você poderia desligar essa luz? &lt;br /&gt;Me sinto tão culpado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-820469109573064300?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/820469109573064300/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/r.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/820469109573064300'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/820469109573064300'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/r.html' title='r)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SOu7lITSGqI/AAAAAAAAAR8/24LuW6hEwmo/s72-c/Mon%C3%B3logo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-2710326554444297592</id><published>2008-10-02T15:49:00.010+13:00</published><updated>2008-10-03T09:17:28.781+13:00</updated><title type='text'>q)</title><content type='html'>estou sentado no bar há uma hora. tomei uma cerveja, mas o cigarro que eu filei era muito forte e tanto a cerveja quanto o cigarro me deixaram enjoado e sem vontade. a noite está meio cinzenta, como se não fosse tanto falta de luz no céu, mas uma espessa e negra fumaça cobrindo a cidade. peço um copo d'água, tentando tirar da boca a impressão de que vou vomitar. uma mulher de óculos escuros, echarpe na cabeça e sobretudo bege senta na minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;finge que me conhece.&lt;br /&gt;ahn?&lt;br /&gt;finge que você estava me esperando. rápido.&lt;br /&gt;ah ta. oi, tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela não responde. através dos óculos escuros, ela parece estar olhando para alguém atrás de mim, mas não tenho certeza. nervoso, fico em silêncio, tentando acompanhar o que está acontecendo, mas logo percebo que ela está é esperando que eu continue a falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é. o que está acontecendo?&lt;br /&gt;nada. nada está acontecendo.&lt;br /&gt;ahn bom. é. quem é você?&lt;br /&gt;qual o seu nome?&lt;br /&gt;o meu é gabriel. e o seu?&lt;br /&gt;gabriel, você está esperando alguém?&lt;br /&gt;não.&lt;br /&gt;bom.&lt;br /&gt;escuta, você não vai me dizer quem você é não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o garçom passa do lado da mesa e ela faz um sinal, pedindo uma cerveja. fico olhando para ela, esperando uma resposta. ela nem ouviu a pergunta. ela tira os óculos e a echarpe. guarda os dois na bolsa e acende um cigarro, enquanto o garçom serve a bebida. ela toma um gole e, pela fumaça do primeiro trago, olha nos meus olhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parece que ela ainda está de óculos escuros. sua boca traga o ar e volta a falar quando expira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gabriel, não se preocupe, o perigo já passou. está tudo bem.&lt;br /&gt;você pode me explicar o que aconteceu? o que é isso? tem alguém te seguindo?&lt;br /&gt;você quer mesmo saber?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na verdade, eu já não estou mais tão interessado no ocorrido. ela é uma mulher bonita e eu quero dormir com ela. tento parecer interessante e perigoso também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me conta.&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SOTs5H_2wgI/AAAAAAAAARs/_OeKyaFZ3N0/s1600-h/filomena.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SOTs5H_2wgI/AAAAAAAAARs/_OeKyaFZ3N0/s320/filomena.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5252583531564417538" /&gt;&lt;/a&gt;eu não vou te falar o meu nome, mas no meu trabalho eu sou conhecida como Filó. meus clientes são todos homens importantes e com dinheiro, porque eu custo muito caro. não faço festas, não atendo mais de um cliente por noite, não vou na residência nem em motel. e recuso cliente. muitos. pra deitar comigo tem que ter algo específico na voz. na hora que o homem fala a primeira palavra pelo telefone, eu já sei. acaba que eu só atendo os muito poderosos. e eles sempre voltam. eles gostam de me ouvir gemer, eu acho. eu faço que gozo como se estivesse rezando uma ave-maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acontece que um homem chamado carlos maciel, figura importante da política, tenho certeza que você já ouviu dele nos jornais, é um cliente meu. toda semana ele me fode. já faz quase um ano. ele é um desses figurões da igreja evangélica, então fica louco com os meus gemidos. me manda presente, paga viagens. eu acho até que ele está apaixonado. ele mesmo me disse isso há algum tempo. eu não digo nada, eu só gemo. digo oh. ah. nem deus eu digo. ele é gentil comigo, fala pouco. tem uma pica fina e em ése. e é só eu sentar em cima dele e juntar as mãozinhas assim, como quem reza, que ele goza na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei se você acompanha o noticiário, mas com as eleições surgiu uma rivalidade muito grande entre o carlos maciel, que está se candidatando para prefeito agora e o candidato de um outro partido, olavo santos cordeiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oficialmente, esse olavo santos tem críticas à postura da igreja evangélica quanto a uma série de assuntos. extra-oficialmente, o partido do olavo, que contribui regularmente com doações à igreja, em troca de contratos para a construtora de alguns de seus membros, está preocupado com uma manobra política recente dos evangélicos: liderados por carlos, eles denunciaram em seu canal de tv que a oposição estaria querendo corromper a igreja evangélica com subornos. isso afetou em muito as chances de olavo nessa eleição. ele não está nem cotado para o segundo turno, não sei se você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu serviço é muito discreto, não anuncio nem ofereço diretamente. não aceito recomendações. mesmo assim, sou conhecida, a Filó, Filomena. de alguma forma, o olavo santos cordeiro descobriu não só que seu inimigo dormia comigo, mas que ele gostava muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;semana passada, ouvi uma voz no telefone que me deixou insegura. fiquei sem saber se se aceitava o cliente ou não. acabou que aceitei. à noite, quando ele chegou, percebi que tinha cometido um grande erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando eu abri a porta, um homem magro e alto sorriu pra mim. eu sabia não se tratar do dono da voz no telefone. eu percebi que algo estava muito errado. ele me segurou pelo braço, ainda sorrindo, e me conduziu de volta para a sala. me explicou que trabalhava para um homem importante e perguntou sobre o carlos, sobre quando que ele vinha. disse que nós dois íamos fazer uma surpresa para ele. falou tudo isso com um sorriso tão tranqüilo que eu senti que ia desmaiar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não desmaiei. pelos próximos quatro dias ele me torturou e me comeu. me deixou sem comer. apagou os cigarros nas minhas pernas. falou que ia arrancar as minhas unhas com um alicate se eu não fizesse o carlos maciel aparecer lá. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu sabia que se eu ligasse para ele, ele desconfiaria. tentei explicar. o carlos normalmente me ligava às terças, pela tarde, para confirmar o encontro no dia seguinte, e ainda era sexta feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele me manteve assim até domingo. hoje. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu tentei escapar todas as noites, mas tinha um segurança, um capanga, e ele vigiava o apartamento, dava para ver pela janela do quarto. a porta estava trancada também, e a chave no bolso do cara, que sorria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois esse homem alto e magro, ele sorria o tempo todo. quando eu tentei fugir da primeira vez, ele me puxou pelo cabelo para a cozinha e, sem a menor pressa, me manteve deitada no chão, com seu pé na minha garganta, enquanto fervia uma panela de água. depois de fervido, ele deixou um filete de líquido cair lentamente em mim e queimar a minha barriga e os meus peitos. eu te mostro as marcas. meu corpo está cheio de marcas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da segunda vez que tentei escapar, eu achei que ele estava dormindo e tentei abrir a janela. ele só teve que me chamar. Filó. e eu congelei. ele me deitou de volta na cama, me amarrou, e arrancou um pedaço da minha coxa, com a boca. ele me mordeu. a dor foi gritante, mas eu não consegui gritar. só consegui rezar uma ave-maria. torcer para ele ir embora ou para eu morrer logo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje eu matei ele. ele ficou na minha frente e me obrigou a chupar a sua pica. eu peguei a arma dele e dei um tiro. achei a chave no seu bolso, me disfarcei e saí. saí do prédio pela janela do quarto do porteiro. já estava escuro, mas o cara que estava vigiando me viu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela olha em volta, furtivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não sei. acho que despistei ele. com a sua ajuda.&lt;br /&gt;caramba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não sei o que falar. não acredito em uma palavra do que essa mulher acabou de me dizer. chego a minha cadeira mais perto da dela e coloco a mão na sua coxa. ela se ajeita na cadeira. percebo que seu sobretudo está manchado, possivelmente de sangue.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu deus. você está muito machucada. vou te levar no hospital.&lt;br /&gt;não! é o primeiro lugar que eles vão procurar. preciso usar um telefone. preciso ligar para o carlos.&lt;br /&gt;eu moro aqui na esquina. vem comigo então. você pode ligar de lá e aí a gente faz os curativos.&lt;br /&gt;tá bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a visão das suas pernas longas, dos seus pés descalços, me enche de tesão. deixo o dinheiro na mesa e tomo um último gole de cerveja. não me faz bem. filó se levanta devagar e coloca os óculos escuros. agora percebo como seus cabelos estão encardidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;atravessamos a rua e subimos para o meu apartamento. o entusiasmo de estar levando uma mulher tão linda para a minha casa, mesmo nessas circunstâncias, me deixa alegre. ainda no elevador percebo que um leve sorriso se forma no meu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entramos e eu ligo o chuveiro. separo uma toalha e a ajudo a tirar a roupa. seu corpo está cheio de hematomas e pequenos cortes. na coxa, uma mancha enorme, com uma ferida ainda aberta. mesmo mutilada assim, ela é divina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela entra no banho e deixa a cortina aberta. eu abro o armário do banheiro e faço os preparativos, pegando os remédios. quando fecho a porta espelhada, enxergo o meu rosto refletido. atrás de mim, enxergo também o momento em que filó estremece, reconhecendo na minha estranha boca aquele sorriso familiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a porta está trancada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-2710326554444297592?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/2710326554444297592/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/estou-sentado-no-bar-h-uma-hora.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/2710326554444297592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/2710326554444297592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/10/estou-sentado-no-bar-h-uma-hora.html' title='q)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SOTs5H_2wgI/AAAAAAAAARs/_OeKyaFZ3N0/s72-c/filomena.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-7323772108631319956</id><published>2008-09-30T03:23:00.005+13:00</published><updated>2008-10-01T01:22:35.181+13:00</updated><title type='text'>p)</title><content type='html'>estou chupando a buceta da marcelle já deve ter uma meia hora. primeiro eu estava com o rosto entre as suas pernas, mas depois de quinze minutos não aguentei mais ficar naquela posição e apoiei meu rosto na sua coxa, o que me deixou com um pouco de sono. para ficar mais desperto, virei ela de quatro e fiquei lambendo seu cú e sua buceta. agora estou com uma mão na sua xoxota e com a outra eu empurro a sua cabeça contra o travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui, com meu corpo pendendo por cima do dela, eu tenho um momento de reflexão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SOIZzeJhW9I/AAAAAAAAARU/69b8j9l8hHA/s1600-h/MARCELLE+OU+UM+PENSAMENTO.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SOIZzeJhW9I/AAAAAAAAARU/69b8j9l8hHA/s320/MARCELLE+OU+UM+PENSAMENTO.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251788487524441042" /&gt;&lt;/a&gt;será que o poeta, quando disse que procurava uma linguagem capaz de dar forma ao que tem forma e dar não-forma ao que assim o é, será que ele se referia a isso. será que ele se referia a ter uma mulher na cama e saber que não existe nada que não possa ser tocado pela letra e que, ainda assim, nem tudo está lá. sempre falta. será que é isso que ele quis dizer quando disse que as mulheres iam se tornar poetizas e que aí os homens as entenderiam. será que ele se deitou com elas e se deitou com eles e quis traduzir um no outro. será que o verlaine quis ser a mulher dele. será por isso que ele é tão musical. será que essa é a pretensão mística. gozar como uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a marcelle fecha as pernas com a minha mão ainda entre as suas coxas e deixa seu corpo cair para o lado. passo meu braço por trás do seu pescoço e a trago para perto. de costas para mim, nos abraçamos. ela coloca a mão por cima da minha e me mostra como quer que eu faça. meu rosto fica enterrado nos seus cabelos enquanto eu forço o seu corpo contra o meu e me concentro na respiração dela. ela estica as pernas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fico com a impressão geral de que quando uma mulher aponta para o infinito, ela o faz com os pés.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-7323772108631319956?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/7323772108631319956/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/p.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/7323772108631319956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/7323772108631319956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/p.html' title='p)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SOIZzeJhW9I/AAAAAAAAARU/69b8j9l8hHA/s72-c/MARCELLE+OU+UM+PENSAMENTO.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-5228480557223900864</id><published>2008-09-26T09:12:00.002+13:00</published><updated>2008-09-26T09:15:14.993+13:00</updated><title type='text'>o)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SNvxSPHBvjI/AAAAAAAAARE/Voib5jIyrrs/s1600-h/fantasia+logo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SNvxSPHBvjI/AAAAAAAAARE/Voib5jIyrrs/s320/fantasia+logo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5250055086226390578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Após a chacina que ocorre durante a passeata de São Sebastião, Dona Sandra lidera o Comitê Anti-Carnaval (CAC), que acredita ser uma obscenidade fazer o carnaval depois de uma tragédia dessas, e vai a TV dar uma entrevista. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Edson é detetive e investiga a morte de uma garota de programa que logo se descobre ser uma menina rica do Leblon. Tudo piora com as suspeitas de que o assassino foi o próprio pai. A mãe, desesperada para que as notícias do crime não se espalhem, tem um sonho: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um menino sai a noite para passear pela favela, apesar de sua mãe ter mandado que não o fizesse, e acaba presenciando uma passeata de traficantes, putas e outros marginais subindo o morro com armas, drogas e defuntos. Ele volta para casa, mas sua mãe não o deixa entrar, dizendo que agora ele está jurado de morte. Ela dá uma arma ao menino, e pede para que ele se mate. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, a mãe da menina morta vai até a delegacia e se oferece para Edson em troca do sigilo, mas ele a recusa. Ela se mata. Edson prende o pai da jovem assassinada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sebastião é enfermeiro num Posto de Saúde. Numa emergência, vai com o médico de plantão na ambulância sem freio do Posto de Saúde levando um bebê que tomou um tiro na cabeça até um hospital melhor equipado para operá-lo. O bebê morre no caminho e o médico acaba indo preso, confundido com um ladrão pela polícia (por causa da camisa cheia de sangue e a incapacidade de responder a perguntas por causa do choque).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia seguinte, Vicente acorda de manhã e lê no jornal seu próprio óbito. Ele vai até o Posto de Saúde onde é dito que ele faleceu e lá encontra Sebastião, que lhe explica que o bebê que morreu no dia anterior tinha exatamente o mesmo nome que ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Márcio é um ator pornô. Ele se apaixona por Cláudia durante uma cena em que ele goza na boca dela e, por um instante, eles tem um ‘momento’, mas ela não parece interessada de fato nele. Após as filmagens, Márcio vai fazer um teste para novela, e passa: Agora ele tem um papel importante na nova novela do horário nobre. Ele tem uma cena romântica na novela, e Cláudia se interessa por ele ao vê-lo representar. Os dois combinam um encontro e trepam num motel, só os dois, igualzinho a no set de filmagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antão, que mora em sua pequena fazenda e tem no carnaval uma de suas poucas distrações, vê Dona Sandra na TV, larga a enxada, faz as malas e vem para o Rio de Janeiro para matar a líder do comitê. E a mata. O carnaval acontece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-5228480557223900864?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/5228480557223900864/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/o.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/5228480557223900864'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/5228480557223900864'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/o.html' title='o)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SNvxSPHBvjI/AAAAAAAAARE/Voib5jIyrrs/s72-c/fantasia+logo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-4763841856411221802</id><published>2008-09-16T02:08:00.005+13:00</published><updated>2008-09-16T04:29:40.197+13:00</updated><title type='text'>n)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SM5k1rKq8pI/AAAAAAAAAQ8/XuJcG-cY7oI/s1600-h/Normalmente+eu+terceirizo.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SM5k1rKq8pI/AAAAAAAAAQ8/XuJcG-cY7oI/s320/Normalmente+eu+terceirizo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5246241489216533138" /&gt;&lt;/a&gt;Normalmente eu terceirizo. Nunca vi nada de interessante nessa parte do ramo. Essa é uma das poucas vezes em que me encontrei na situação de ter que arrancar eu mesmo as unhas de alguém. Não tive tempo de me organizar direito, então tudo esta sendo feito na minha casa mesmo, na cozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demoro tempo demais amarrando o rapaz, ainda drogado, na cadeira. Além de ter que segurar suas mãos molengas no lugar, a porcaria da fita adesiva fica dobrando e eu tenho que usar quase metade do rolo. Abro a gaveta perto da pia e escolho cuidadosamente duas facas, as que não uso muito. Me arrependo de ter dado tantos comprimidos pro cara, porque queria ver a sua expressão de horror ao ver as facas saindo da gaveta. Admito que eu mesmo sinto um embrulho no estomago ao vê-las em cima da mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tenho tempo de preparar um café e ligar a televisão por uns dez minutinhos antes de ouvi-lo arrastando a cadeira de um lado para o outro. Volto e sento na poltrona do lado dele. Instantaneamente me arrependo de ter amarrado o cara na cadeira mais alta. Por alguns segundos não tenho o que dizer. Ajeito o cordão no pescoço. Explico para ele o que irá se passar em seguida. Explico que tudo poderá ser evitado se ele desembuchar o nome do patrão. Faço tudo isso imitando uma das cenas que vi no cinema outro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu levanto e busco na cozinha os objetos que arranjei e disponho todos eles em cima da mesinha de centro. Finalmente posso testemunhar a cara de pânico que ele faz ao ver as facas. Não sinto o prazer que achei que sentiria. Ao invés de respeito e medo de mim, sinto que seu horror ignora completamente o torturador, não indo além da faca, do martelo ou do alicate. Isso me enche de raiva. Decido começar pelos olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-4763841856411221802?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/4763841856411221802/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/n.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/4763841856411221802'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/4763841856411221802'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/n.html' title='n)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SM5k1rKq8pI/AAAAAAAAAQ8/XuJcG-cY7oI/s72-c/Normalmente+eu+terceirizo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-3011383945710802118</id><published>2008-09-04T09:49:00.005+13:00</published><updated>2008-09-04T10:15:04.829+13:00</updated><title type='text'>m)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SL79jCT7MlI/AAAAAAAAAQ0/QJJDPRmXem0/s1600-h/sem+titulo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SL79jCT7MlI/AAAAAAAAAQ0/QJJDPRmXem0/s320/sem+titulo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241905794663526994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;&lt;b&gt;para Gilles&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Primeiro dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A despedida foi linda. Contive o choro até alcançar o mar aberto. Foi só quando o vento apertou e comecei a sentir os respingos das ondas no meu rosto que pude chorar escondido. Chorar por não ter de quem esconder. A direção do vento é constante. Eu rumo sul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Segundo dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi o Rio de Janeiro no meio da noite. Agora só vejo mar. Passei o dia olhando para trás e vendo a espuma dividir simetricamente o mar em dois. A bússola aponta para mim, enquanto nos movemos para o sul. As velas ainda não pediram grandes trimagens – seguram-se gigantes, investindo contra o céu que escurece devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Terceiro dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre dois turnos, sonhei que coelhos infestavam o convés. Uma onda veio e levou todos embora. Acordei com o panejar das velas. Sem vento algum, aproveitei para mergulhar na água. A sensação de ser um barco como o meu barco, também à deriva, é reconfortante. Percebi que não trouxe toalhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Quarto dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subi no mastro para ver que desenhos estou traçando no mar. Me assustava a idéia de outro dia a vagar fora do curso. Quando o sol estava a pino, corri algumas vezes pelo convés e fiz polichinelos. À tarde o vento voltou a sussurrar e, antes do anoitecer, uivava novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Quinto dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A genoa rasgou no punho. O debater do pano na tempestade me fez pensar em deus. Em meio às pancadas surdas do barco afundando nas ondas, comecei a ouvir o grito de uma criança. Era a estrutura do barco que gemia. Desci a genoa e vou somente com a principal, rizada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sexto dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva diminuiu, mas o vento continua o mesmo. O barco fez 12 nós só na principal durante todo o dia e não havia muito mais o que se fazer. Adormeci no leme e sonhei que um último coelhinho saia de dentro do barco, corria para a popa e pulava na água. Acordei assustado com algo, mas nada continuava acontecendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Sétimo dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descansei o dia todo, só levantando para caçar um pouco as velas. O céu começou a abrir e senti minha pele queimar novamente. Olho para o horizonte e a palavra saudade começa a se formar entre as nuvens. Às vezes, sinto que alguma coisa mais forte guia o caminho, algo além de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Oitavo dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gosto do ar mudou. Senti o aroma frio de outras terras, mas me proibi de pensar em âncoras e pingüins de geladeira. O sol brinca com as nuvens, criando sombras no mar e eu tento decifrá-las, dividindo as formas entre âncoras e pingüins. Tentei lembrar de alguns versos do Pessoa, mas sem sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Nono dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notei cinco novas tonalidades de verde no mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Décimo dia de viagem&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que percorri 130 milhas na noite passada. Hoje, o sol subiu por trás de uma massa disforme de terra e, sob a proa da embarcação, vi nascer uma cidade. O calor secou as lágrimas no meu rosto. O leme está leve, solto. Já começo a reconhecer o Pão de Açúcar, configuração final de nuvens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-3011383945710802118?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/3011383945710802118/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/para-gilles-primeiro-dia-de-viagem.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3011383945710802118'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3011383945710802118'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/para-gilles-primeiro-dia-de-viagem.html' title='m)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SL79jCT7MlI/AAAAAAAAAQ0/QJJDPRmXem0/s72-c/sem+titulo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-4906224169820937870</id><published>2008-09-02T07:09:00.009+13:00</published><updated>2008-09-02T07:20:06.703+13:00</updated><title type='text'>l)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwyShh70II/AAAAAAAAAQM/CKTOKbPn-dk/s1600-h/titulo.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwyShh70II/AAAAAAAAAQM/CKTOKbPn-dk/s400/titulo.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241119360172150914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwyMAicVEI/AAAAAAAAAP8/dcyvZDbsu68/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwyMAicVEI/AAAAAAAAAP8/dcyvZDbsu68/s400/1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241119248236696642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwyMudHfEI/AAAAAAAAAQE/6sGO85sbvzo/s1600-h/dissolu%C3%A7%C3%A3o+1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwyMudHfEI/AAAAAAAAAQE/6sGO85sbvzo/s400/dissolu%C3%A7%C3%A3o+1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241119260562390082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwx_QoYc6I/AAAAAAAAAPs/XBOsf-xofl4/s1600-h/2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwx_QoYc6I/AAAAAAAAAPs/XBOsf-xofl4/s400/2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241119029218276258" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwx_rHVTWI/AAAAAAAAAP0/b_C9XqmCkds/s1600-h/dissolu%C3%A7%C3%A3o+2.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwx_rHVTWI/AAAAAAAAAP0/b_C9XqmCkds/s400/dissolu%C3%A7%C3%A3o+2.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241119036327415138" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwx1yi_LrI/AAAAAAAAAPc/LHngywo1YQI/s1600-h/3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwx1yi_LrI/AAAAAAAAAPc/LHngywo1YQI/s400/3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241118866523762354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwx2AzeSpI/AAAAAAAAAPk/tGerbUGh62g/s1600-h/dissolu%C3%A7%C3%A3o+3.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwx2AzeSpI/AAAAAAAAAPk/tGerbUGh62g/s400/dissolu%C3%A7%C3%A3o+3.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241118870351006354" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwxtMDspgI/AAAAAAAAAPM/OuLkxeNO3GI/s1600-h/4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwxtMDspgI/AAAAAAAAAPM/OuLkxeNO3GI/s400/4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241118718753023490" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwxtZbMxpI/AAAAAAAAAPU/2AUIzAZ9Mj0/s1600-h/dissolu%C3%A7%C3%A3o+4.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwxtZbMxpI/AAAAAAAAAPU/2AUIzAZ9Mj0/s400/dissolu%C3%A7%C3%A3o+4.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241118722341258898" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwxl5IATiI/AAAAAAAAAO8/eLvNCuFN0fc/s1600-h/5.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwxl5IATiI/AAAAAAAAAO8/eLvNCuFN0fc/s400/5.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241118593411730978" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwxmCMXJlI/AAAAAAAAAPE/lXZF_dg5Mm8/s1600-h/dissolu%C3%A7%C3%A3o+5.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwxmCMXJlI/AAAAAAAAAPE/lXZF_dg5Mm8/s400/dissolu%C3%A7%C3%A3o+5.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5241118595845924434" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-4906224169820937870?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/4906224169820937870/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/l.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/4906224169820937870'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/4906224169820937870'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/l.html' title='l)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLwyShh70II/AAAAAAAAAQM/CKTOKbPn-dk/s72-c/titulo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-4923182908834340556</id><published>2008-09-01T02:50:00.004+13:00</published><updated>2008-09-01T03:03:17.769+13:00</updated><title type='text'>k)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLqkiO2f4YI/AAAAAAAAANE/H1xoLnXQacQ/s1600-h/a+noite.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLqkiO2f4YI/AAAAAAAAANE/H1xoLnXQacQ/s320/a+noite.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240682024408179074" /&gt;&lt;/a&gt;, na ruela que divide o nosso prédio do da frente, uma nevoa espessa cobre tudo, transbordando pela via principal até a praia e o porto. eu me debruço na janela e consigo ver uma garota passeando pela rua lá embaixo. ela usa um vestido longo, verde ou azul. não consigo ver direito. acompanho seus passos até ela sumir na nevoa escura da alameda. alguns segundos depois, ela reaparece sob a luz do píer e caminha lentamente pelas tábuas de madeira. com a teve ligada na sala, não consigo ouvir o barulho do seu corpo caindo no mar. minha mulher me chama pra mudar o sofá de lugar e fala pra eu parar de incomodar os fantasmas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-4923182908834340556?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/4923182908834340556/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/k.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/4923182908834340556'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/4923182908834340556'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/09/k.html' title='k)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLqkiO2f4YI/AAAAAAAAANE/H1xoLnXQacQ/s72-c/a+noite.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-4364220583147993712</id><published>2008-08-30T02:55:00.005+13:00</published><updated>2008-08-30T03:51:49.627+13:00</updated><title type='text'>j)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLgHpCegH3I/AAAAAAAAAMs/8vCJrt2nBfk/s1600-h/Sarapatel.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLgHpCegH3I/AAAAAAAAAMs/8vCJrt2nBfk/s320/Sarapatel.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239946568066408306" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;para claritinha e slavoj zizek&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando pôs o desodorante na boca que notou que algo estava errado. Tentou recapitular – não lembrava de nada do que fizera antes de colocar o desodorante na língua. O que conseguiu perceber é que não foi um gesto impensado, como se tivesse ido na direção da pasta de dente e, sem querer, trocado pelo desodorante. Não. Ele pegou o desodorante e passou na língua de propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorriu para o espelho, tentado voltar ao fluxo diário de acontecimentos, mas o que de fato aconteceu foi perceber nesse sorriso algo totalmente além do seu controle. Virou de costas para o espelho – isso também, completamente programado. Sentiu-se estranhamente nervoso, um zumbido irritante começou no ouvido e logo tomou conta dos seus pensamentos. Deu um passo para frente e gelou. Estava imerso num infinito dejà vu, no qual não era ele quem observara a repetição, mas outra pessoa. Ele era o personagem no texto de alguém. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impelido por alguma coisa, voltou ao quarto. Percebia que cada poro do seu corpo era guiado por uma voz. Outras coisas a sua volta pareciam imunes a isso: o abajur, por exemplo – pensando bem, aquele abajur não existia a dez segundos atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentou na cama ainda de cueca. Levantou e rodopiou como uma bailarina. Relaxava seu corpo cada vez mais e, cada vez mais, percebia ser capaz de identificar essa partitura mística que seguia. Colocou um dedo no nariz e foi até a janela, mantendo o dedo no nariz. Toda a sua existência parecia se resumir à ser um homem, de cueca, com o dedo no nariz, encostado na janela, perto de um abajur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando pela janela viu as janelas de tantos outros apartamentos. Tentou se concentrar: talvez conseguisse prestar atenção no que quer que seja que está guiando seus movimentos (não estariam seus pensamentos e questionamentos também sendo guiados por essas palavras?). Antes que pudesse tirar qualquer conclusão, sentiu um grito subindo-lhe a garganta, como uma bolha ou um anti-peido. Foi rir da palavra anti-peido e acabou deixando escapar o grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sarapateeeeeellllll!!!!!!!!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A palavra ecoou pelo vão que separava sua janela das janelas do prédio da frente. Quis pensar que estava possuído por alguma força demoníaca que o obrigava a recitar versos em aramaico ou alguma língua desconhecida. Quem saberia o que sarapatel significa? Vai ver deus tomou posse de seu corpo naquela manhã para que espalhasse sua mensagem por todo globo. Sentiu outro grito vindo – dessa vez não lutou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“SARAPATELLLLLLL!!!!!!!!!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gritou com todas as forças, ficando até na ponta dos pés – queria ter gritado gloria à deus, mas sendo sarapatel a palavra que saiu, colocou ao menos a entonação que lhe agradava (não seria essa entonação tamb...ele já percebeu que a entonação não é dele.). Ficou tonto e voltou a sentar na cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou que um dos motivos pelos quais não se sentia senhor de suas ações era que tudo parecia estar no pretérito. Tudo parecia ao invés de tudo parece. Jogou a cabeça contra o travesseiro. Tudo parecia escuro e silencioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um barulho estrondoso o trouxe de volta. Não demorou a identificar que se tratava da campainha. Levantou e atravessou sem maiores dificuldades a distância entre o quarto e a porta da frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O seu sarapatel.”  Disse o homem vestido de uniforme azul, com quepe vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O protagonista continuou olhando para o entregador parado ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O seu sarapatel, moço” falou, enquanto abria o embrulho e mostrava a tigela de plástico coberta com papel alumínio. Tirou o papel de cima da comida e, enquanto o alimento era inspecionado, o entregador reparou que o cara tava só de cueca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O protagonista continuou a olhar com suspeita –  achava difícil que a palavra pronunciada com tanto esmero na janela designasse tal gororoba (essa sim própria para aquela mistureba (essa sim própria para aquela coisa (essa sim própria pra qualquer coisa))). Disse finalmente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Isso ai é meu?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O entregador parou de olhar para a cueca e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mas é claro, o senhor que pediu. São quinze reais, por favor. Aqui o seu recibo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Deve haver algum engano, não pedi nada.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O senhor tá de sacanagem comigo, né...são quinze reais, por favor.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem continuou parado, inspecionando agora a cara do entregador. Ele parecia confuso também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Senhor, aqui o seu recibo, ó...tá aqui...quinze reais.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhuma resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Senhor?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem sentiu que seus olhos se encontrariam com os olhos do entregador (e se encontraram).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não tá percebendo?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O entregador fez cara de quem não entendeu. O homem sorriu e, olhando para cima, quase lendo um texto que passava na sua frente (ou em cima dele, ou nele, sabe se lá...) continuou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não está percebendo o que esta acontecendo? Não esta sentindo como tudo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi interrompido pelo entregador:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O senhor me faca o favor, né. Não quero saber o que está acontecendo...você...você vem ate a porta me receber assim de cueca, me joga esse papo aí de ‘o que está acontecendo’...coé, camarada? Tá me estranhando? Tá querendo confusão? O teu sarapatel foi quinze reais. Agora me faça o favor de pagar que eu quero ir embora daqui...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virou-se e olhou para a sala. Nada era novo, mas nada era familiar o suficiente para que ele pudesse reconhecer onde que se esconderiam os 15 reais para pagar pelo sarapatel. Andou em linha reta até o meio do cômodo, deu umas voltas sobre o seu  eixo, tentando ver se era obviamente guiado para algum lugar – nada. Tentou relaxar um pouco (apesar do olhar arregalado do entregador) e deixou-se levar, guiando-se pelo mapa que eram seus passos. Esbarrou na penteadeira: abriu a primeira gaveta, pegou uma caixinha que estava no canto, de dentro dela tirou um saquinho de veludo azul e dali de dentro tirou duas notas de dez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Aqui.” Falou satisfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Tó o teu troco e a tua comida.” O entregador andou rapidamente até o elevador. “Viado...” murmurou antes de sumir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem sabia que era hora de fechar a porta e fechou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESTUDO PARA FINAL ALTERNATIVO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado na mesa, despeja todo o conteúdo da tigela numa tigela maior e, quando vai jogar o papel alumínio fora, encontra, grudado, um bilhete em que estava escrito em letras pretas contra o fundo cinza:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“caro homem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui é o escritor. foi mal aí por você ter que existir, andar de cueca na frente de um entregador, passar desodorante na língua e etc. É que eu precisava que alguém dissesse sarapatel pra mim. foi mal mesmo. depois te reembolso os quinze contos. valeu.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-4364220583147993712?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/4364220583147993712/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/j.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/4364220583147993712'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/4364220583147993712'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/j.html' title='j)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLgHpCegH3I/AAAAAAAAAMs/8vCJrt2nBfk/s72-c/Sarapatel.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-7095688955504848891</id><published>2008-08-28T02:46:00.009+13:00</published><updated>2008-08-28T09:04:09.594+13:00</updated><title type='text'>i)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWwo94KY9I/AAAAAAAAAJ4/Ysz-s44v4NU/s1600-h/tropecavas+nos+astros+desastrada+0+copy.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWwo94KY9I/AAAAAAAAAJ4/Ysz-s44v4NU/s200/tropecavas+nos+astros+desastrada+0+copy.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239287959366820818" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Miranda foi encontrada morta numa pedra no arpoador. Os testemunhos tanto do casal de jovens que a encontrou quanto do pescador que a carregou de volta pra rua são contraditórios.&lt;br /&gt;Os primeiros juram que, quando chegaram lá, ela já estava estatelada e que – mesmo naquele escuro – dava pra ver o sangue escorrendo pedra abaixo, encontrando o mar. O segundo, por sua vez, tem certeza que ao chegar no lugar em que os dois adolescentes disseram ter encontrado um cadáver, não havia nada, mas que, olhando para cima, pôde ver uma mulher tirando a última peça de roupa e pulando em direção à pedra em que ele estava - por isso que ele moveu o corpo, explica para a polícia, porque achou que ela ainda estava viva, agonizando.&lt;br /&gt;Seja o papo dos dois garotos apenas uma desculpa elaborada para não ter que contar pros pais o que planejavam fazer àquela noite, seja o discurso do pescador apenas uma confusão de presentes e pretéritos, o fato é que todos eles garantem que não repararam nos desenhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Distribuídos pelo corpo de Miranda, a perícia encontrou sete desenhos feitos com pincel e nanquim. Alguns eram só traços infantis, outros mais complexos, alguns tinham legendas e outros estavam desbotados por causa da cerveja que derrubaram no corpo enquanto esse esperava a chegada da policia num quiosque da praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguem aqui descrições dos sete:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWw4SPWEjI/AAAAAAAAAKA/F2hn6O5VevE/s1600-h/tropecavas+nos+astros+desastrada5+copy.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWw4SPWEjI/AAAAAAAAAKA/F2hn6O5VevE/s200/tropecavas+nos+astros+desastrada5+copy.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239288222530802226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sob a legenda “enquanto nós nos deixamos adentrar o nada nos devolve à nós mesmos” encontra-se o desenho sofisticado de uma ponte com um riacho. Apesar da pouca precisão e do tamanho contido da figura, pode-se facilmente perceber que a água do riacho, assim que passa por baixo da ponte, faz uma curva e sobe a ponte e, ao descer, encontra a água que ainda não passou por baixo do arco. O oficial Esteves, primeiro a perceber o desenho impresso na barriga da morta, ressaltou: “A parada é sinistra, tive que chegar tão perto para ler o que estava escrito que senti o cheiro forte da pele da defunta entrar fundo pelo nariz. A parada é muito sinistra.”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWxGo2DrPI/AAAAAAAAAKI/PQ58wamwLro/s1600-h/tropecavas+nos+astros+desastrada+1+copy.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWxGo2DrPI/AAAAAAAAAKI/PQ58wamwLro/s200/tropecavas+nos+astros+desastrada+1+copy.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239288469116923122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O segundo desenho foi encontrado também por Esteves, mas com certa frustração, por não entender do que se tratava. Sem legendas ou maiores detalhes, ele descobriu cinco ou seis traços (uma análise cuidadosa efetuada pelos estagiários do necrotério determinou na verdade sete) rabiscados na planta do pé esquerdo, formando o desenho rudimentar de uma casinha (opinião de seu colega, o oficial Juca Levis) ou o ideograma chinês para ‘beijo nos rochedos’ (de acordo com um estudo duvidoso de Ezra Pound, citado pelo médico legista). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWxc5Dw2sI/AAAAAAAAAKQ/YrZ1tdtGD1Y/s1600-h/tropecavas+nos+astros+desastrada+2+copy.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWxc5Dw2sI/AAAAAAAAAKQ/YrZ1tdtGD1Y/s200/tropecavas+nos+astros+desastrada+2+copy.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239288851426499266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Alguns jornais sugerem que se deve a um impulso necrofílico o descobrimento da terceira figura. O enfermeiro Dênis – o acusado – defende-se dizendo que foi enquanto copiava o primeiro desenho, para fins de documentação do caso, que reparou que, entre os pêlos pubianos da moça, havia “uma área mais escura, como se ela não depilasse aquele pedaço da xereca há muito tempo” (tirado da entrevista cedida a revista veja). Munido de “uma verdadeira curiosidade científica e interesse investigativo” (mesma entrevista), Dênis cortou todos os pêlos da área e copiou para seu caderno as novas evidências. Tratava-se do verso “e havia ali também outras vitrolas, sinais e estrelas.”, extraído de um poema de Gabriel Tupinambá. A caligrafia trabalhada entalhava em letras de fôrma as palavras, num trabalho que certamente tomou muito tempo do desenhista – porque ninguém considera que ela mesma tenha tatuado tudo aquilo. Faltou a Dênis explicar porque ele foi visto no dia seguinte com tinta preta nos lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWyNUWYPZI/AAAAAAAAAKc/3LwPiljGyAc/s1600-h/tropecavas+nos+astros+desastrada4+copy.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWyNUWYPZI/AAAAAAAAAKc/3LwPiljGyAc/s200/tropecavas+nos+astros+desastrada4+copy.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239289683386056082" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O quarto desenho, um contorno preciso aplicado no bico de um dos seios, criando três círculos circunscritos como num alvo, não foi motivo de polêmica até uma semana antes do enterro: quando o corpo foi lavado, descobriu-se que não só os três círculos negros eram desenhados, como o próprio bico do peito, que também dissolveu na água. O oficial Esteves, a essas alturas apontado com o principal investigador do caso, absteve-se a um comentário: “cacete.”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWycVleFUI/AAAAAAAAAKk/fzbmgkH2O4U/s1600-h/tropecavas+nos+astros+desastrada+3+copy.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWycVleFUI/AAAAAAAAAKk/fzbmgkH2O4U/s200/tropecavas+nos+astros+desastrada+3+copy.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239289941415826754" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Num descuido do médico legista – que deixou o corpo cair da mesa de autópsia – descobriu-se na nuca do cadáver o quinto desenho, claramente um mapa. Apesar de não conter os nomes das ruas nem das praias, era óbvio se tratar de um mapa simplificado de quatro ou cinco quadras que vão da visconde de pirajá até o arpoador (uma análise mais aprofundada dos estagiários do necrotério revelou serem na verdade seis quadras). Um traço nítido e preciso marca um caminho que vai (ou vem, não se sabe) de dentro da cidade até as pedras do arpoador. Apesar das quadras na periferia da figura estarem um pouco borradas por causa da cerveja derramada no cadáver, especialistas tentam localizar a outra ponta do caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWyq3blxiI/AAAAAAAAAKs/UI7GgYOYIO4/s1600-h/tropecavas+nos+astros+desastrada6+copy.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWyq3blxiI/AAAAAAAAAKs/UI7GgYOYIO4/s200/tropecavas+nos+astros+desastrada6+copy.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239290191019361826" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Os dois primeiros chegarão desapercebidos e chamarão o terceiro. O quarto e o quinto serão acidentes, o sexto (parte borrada do texto), o sétimo – a noite, o (duas linhas de texto ilegível) e é por isso que não se deve ignorar estas palavras: tudo o que há é (ilegível daqui em diante por causa da fatídica cerveja.)” – transcrição oficial. O médico legista ainda discute a possibilidade dessa inscrição, encontrada em espiral em torno de um dos antebraços, ter sido escrita post mortem devido à facilidade com que borrou ao entrar em contato com a bebida. Isso criaria uma janela de aproximadamente três horas entre a queda do corpo e a chegada da polícia em que teria sido pintada a inscrição no braço da falecida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWy9veBxRI/AAAAAAAAAK0/1cwyW3n8TgA/s1600-h/tropecavas+nos+astros+desastrada7+copy.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWy9veBxRI/AAAAAAAAAK0/1cwyW3n8TgA/s200/tropecavas+nos+astros+desastrada7+copy.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239290515299616018" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O último desenho, um minúsculo coração desenhado sobre o peito esquerdo da morta, demorou muito a ser encontrado. Graças ao trabalho meticuloso dos estagiários do necrotério, que percorreram o corpo com lentes de aumento, foi possível a identificação da sétima figura, antes entendida como uma pinta qualquer. Apesar de pequena e pouco hermética, foi causadora de grandes polêmicas. “Que pouca vergonha um negócio desses... Não entendi metade dos desenhos, mas esse...uma coisa dessas não pode não... onde já se viu mexer assim com o coração da moça ?” disse uma leitora na enquete realizada por um jornal. Um especialista confirmou que os sete desenhos foram feitos com nanquim alemão de marca Staedtler, o único que, com o pincel certo, seria capaz de proporcionar a precisão necessária para o desenho. A policia fala agora em assassinato e mantêm na lista de suspeitos Gabriel Tupinambá, autor de uma das inscrições, que foi visto na praia naquela noite e que, de acordo com o cara que derramou a cerveja, foi quem esbarrou nele -  e também João Marcos Serafim, cujo nome rima com nanquim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-7095688955504848891?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/7095688955504848891/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/i.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/7095688955504848891'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/7095688955504848891'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/i.html' title='i)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLWwo94KY9I/AAAAAAAAAJ4/Ysz-s44v4NU/s72-c/tropecavas+nos+astros+desastrada+0+copy.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-8162803364887379016</id><published>2008-08-25T12:56:00.005+13:00</published><updated>2008-09-01T05:35:15.714+13:00</updated><title type='text'>h)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLrILYQbVsI/AAAAAAAAANM/HYCG_euZDXM/s1600-h/ritual.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLrILYQbVsI/AAAAAAAAANM/HYCG_euZDXM/s320/ritual.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240721214214461122" /&gt;&lt;/a&gt;Isso é um sonho. Você está usando um longo pano preto que cobre todo o seu corpo. Logo vem o pensamento esse pano preto e velho não combina com o conforto e o calor que eu sinto, seguido por o outro lado desse pano preto e velho é de veludo cor de sangue. Ainda envolto na manta e nos dois pensamentos consecutivos, duas mãos – a relevância do paralelismo entre as mãos e os pensamentos poderia ser uma questão para você, mas não será – deslizam pelos seus ombros e levam o pano para longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas mãos fazem parte de duas jovens nuas que agora carregam a manta de  veludo vermelho embora. Você está nu. A vergonha que você sente parece estar indissociavelmente conectada a idéia de que todos os olhos no salão (você esta num salão) estão focados no seu pau – se você pudesse analisar esse sentimento talvez achasse a idéia absurda, mas você não analisará. Você olha em volta e agora pode deixar a imagem da imagem do seu pau ir embora e se concentrar em entender o que está se passando na mesa central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre a mesa estão mulheres agachadas de cócoras com seus vestidos levantados. O pensamento são vinte duas vem antes mesmo que você pudesse contar quantas são – coisa que você não fará. A longa mesa de mármore tem todos os lugares ocupados, exceto um, entre duas mulheres que usam máscaras. Você sabe que a cadeira é sua e caminha em direção a ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto caminha, você sabe que está tarde e que em algumas horas seus pais chegarão do cinema. Você olha para o teto e – apesar de não reconhecer os afrescos – sabe se tratar da capela sistina. Você puxa o assento. Uma das mulheres segura o seu braço e a outra pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é o meu nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento qual é mesmo o código te assusta, pois já te perguntaram a senha na entrada e você não se lembra do que respondeu. Você reconhece as duas mulheres -  não pelos seus rostos, mas por uma estar usando uma máscara preta e velha e a outra uma mascara de veludo cor de sangue. Instantaneamente, como reflexo de reconhecê-las, você diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você é coelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você sabe que dizer isso equivale a dizer não sei e que não sei é a resposta correta. A mulher que segurava seu braço, passa a mão entre as suas pernas, mas você não tem coragem de virar e encará-la nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você senta no tampo da privada – você poderia questionar porque que a cadeira não era mais de madeira e acolchoada, mas você não o fará – e repara brevemente na mulher a sua frente, de cócoras sobre a mesa. Esses pratos são como os da casa da minha vó passa por você, seguido por minha vó é feita de porcelana e os dois pensamentos casam perfeitamente. Você volta a prestar atenção na mulher agachada sobre a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela segura o vestido roxo para cima e sua calcinha está algemando seus pés. Você enxerga a racha dela e esse movimento vem associado ao pensamento eu nunca usei essa palavra. Você se sente mal olhando sob o seu vestido e sente que vai ficar enjoado. Ao invés do enjôo crescer, o seu pau fica duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se sente envergonhado novamente e tenta esconder o pau segurando-o com ambas as mãos. Mesmo com o barulho dos copos e talheres – todos os copos e talheres estão parados na mesa e se você pudesse se lembrar, perceberia como não havia barulho nenhum; mas você não se lembrará – você sente que todos observam você. A vergonha se transforma em uma espécie de sufocamento e você aperta o seu pau com todas as forças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, as mulheres em cima da mesa também fazem força. Você sente que, como num tubo de pasta de dente, você esta espremendo todo interior do seu pau pra fora. Você não olha para baixo da mesa com medo do que vai ver. Em cima da mesa, as mulheres soltam gemidos mornos enquanto fazem força. Com medo de sentir um dor aguda quando parar de se apertar, você se concentra em olhar para a racha da mulher a sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não consegue ver mais nada a não ser seu cú.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você percebe que ela vai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-8162803364887379016?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/8162803364887379016/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/h.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/8162803364887379016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/8162803364887379016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/h.html' title='h)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLrILYQbVsI/AAAAAAAAANM/HYCG_euZDXM/s72-c/ritual.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-2375311986146501831</id><published>2008-08-23T10:16:00.004+13:00</published><updated>2008-09-01T05:42:37.695+13:00</updated><title type='text'>g)</title><content type='html'>1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da primeira vez eu fui porque ninguém mais iria. deixei renata no ponto de ônibus depois do cinema e liguei pra miranda do telefone público do lado de fora do shopping. oi quem é ela disse – sou eu gabriel eu disse – tudo bem ela disse – tudo legal eu disse – silêncio – tem problema se eu passar aí agora eu disse – agora ela disse – é agora eu disse – meu ajudante não esta aqui agora como você vai entrar ela disse – me joga a chave que eu subo eu disse. desliguei o telefone e peguei um táxi. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;miranda jogou a chave e eu subi. sentei no sofá e nós conversamos sobre tarifa de ônibus e filmes do tom cruise. horrorizado pela forma daquelas pernas, penduradas da cadeira de rodas, tudo o que consegui fazer foi dar uns beijos e por a mão nos peitos dela. evitei que ela se esticasse da cadeira e tentasse me tocar uma punheta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não está tarde pra você ela disse – está eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentado na calçada esperando um radio-táxi, me senti um idiota por não ter pelo menos desabotoado a blusa dela. o poste de luz começou com um barulho abafado e grave e eu não conseguia parar de pensar nos seus joelhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;renata viajou pra teresópolis na quinta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cheguei as sete e meia e júnior (ou júlio), o ajudante dela, abriu a porta. me sentei no sofá e fiquei sozinho na sala por algum tempo. depois ouvi o júnior (ou júlio) se despedindo de miranda na cozinha e vindo até a porta. té mais ele disse – até eu disse – desculpa teu nome qual é mesmo ele disse – gabriel eu disse – té mais gabriel ele disse. o elevador desceu num estrondo terrível. pensei em uma boca enorme, um monstro engolidor de gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;miranda veio falando alguma coisa da televisão e eu reparei que seu vestido era muito longo, cobrindo as pernas e os pés. cheguei perto dela e fiz carinho no seu cabelo. ela olhou pra cima – por um momento examinei seu rosto rochoso e estrangeiro, antes de sentir suas mãos esfregando o meu pau por cima da calça e desviar o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu não sabia o que fazer: não agüentava vê-la me olhando nos olhos enquanto me masturbava. segurei então o seu cabelo e coloquei meu pau na sua boca. comecei a empurrá-lo para dentro com violência – minhas bolas chacoalhando como lantejoulas em fantasia de carnaval. miranda fechara os olhos e se segurava firmemente na cadeira. cansado, soltei seu cabelo e passei a mexer a cadeira de rodas pra frente e pra trás. gozei na sua roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me limpei com uma almofada velha cheirando a naftalina. miranda foi ao banheiro e quando voltou eu não estava mais lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;domingo dia de jogo do flamengo, fiquei em casa com renata vendo tv. as janelas sufocadas entre o ar condicionado e o bafo quente do lado de fora. estávamos transando no sofá e eu segurava uma das pernas dela pra cima – renata começou a gritar e eu demorei a entender que tinha enfiado as unhas na sua coxa. pensando agora com mais calma, acho que não estava tentando chegar nos ossos da renata, mas nos galhos secos que são as pernas da miranda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o flamengo perdeu e fomos dormir cedo. não lembro o que sonhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encontrei com júnior (ou júlio) no zona sul. trocamos olhares, mas acho que ele não me reconheceu. saí do mercado e liguei pra miranda. nada. atravessei a rua e parei um táxi. beleza eu disse – beleza – ele disse – vou na lineu de paula machado eu disse – tá certo ele disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encostei os olhos na cabeça como a cabeça na janela do táxi. o vidro ainda molhado de chuva sendo lambido pela velocidade do carro que varava o corte do cantagalo. pensei em como queria vê-la nua na cama, seu corpo sem proporção distorcido sobre os lençóis. não conseguia imaginar suas pernas subindo e dando lugar a sua buceta. quanto mais eu forçava esse pensamento, tentando prever o encontro perverso dessas duas linhas num ponto futuro, mais confundia meu desejo com ânsia de vômito. aqui tá bom eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;peguei a chave atrás da caixa do correio e subi. ela não estava na sala nem na cozinha. miranda eu disse – ninguém respondeu. fui até o quarto e a encontrei na cama dormindo. o lençol cobria o seu corpo, deixando só a cabeça de fora. puxei o lençol com mais medo do que cuidado e me afastei da cama: nua ela parecia ainda mais grotesca, mais real. eu não conseguia fechar os olhos, mas também não tinha coragem olhar diretamente. pelo canto dos olhos, eu via aquela massa disforme pulsar na penumbra do quarto. tentei ficar mais enojado com a minha própria repulsa do que com o que via. ainda muito tonto, ajoelhei e a cobri de novo com o lençol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, quando encostei no seu corpo, percebi que miranda estava gelada. estava morta. tirei o lençol de novo e vi a marca das mãos no seu pescoço. havia sido estrangulada.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLrJv8h4fvI/AAAAAAAAANU/f18CUJ4gGbQ/s1600-h/erros+ortograficos.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLrJv8h4fvI/AAAAAAAAANU/f18CUJ4gGbQ/s320/erros+ortograficos.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5240722941938269938" /&gt;&lt;/a&gt; comecei a chorar desesperadamente – não por vê-la morta, mas por ver que as marcas da agressão eram iguais as que seu corpo sempre carregara, já estava tudo escrito naquele corpo torcido e inacabado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ouvi tocar a campainha da rua e fui até a janela ver quem era. renata. saí da frente da janela e me apoiei contra a parede. se ela visse miranda morta ia achar que fui eu. me lembrei do rosto do ajudante quando nos encontramos no mercado e tive a intuição de que ele estava envolvido. a campainha soltou mais um grito insistente. se renata subisse e visse o monstro sufocado na cama ia chamar a policia. febril, pensei que tudo o que precisaria fazer era contar pra policia que o assassino era o júnior. ou seria júlio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-2375311986146501831?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/2375311986146501831/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/g.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/2375311986146501831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/2375311986146501831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/g.html' title='g)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SLrJv8h4fvI/AAAAAAAAANU/f18CUJ4gGbQ/s72-c/erros+ortograficos.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-6724023875073308119</id><published>2008-08-22T02:51:00.006+13:00</published><updated>2008-08-22T06:42:22.051+13:00</updated><title type='text'>f)</title><content type='html'>se as palavras. livro aberto na página 52 (pulou umas dez no meio de um capitulo em que vicente tomava banho e comia miojo) e a mochila recheada de inutilidades, tudo isso sentado num banco de praça em algum lugar na praia de botafogo. o sentimento de que alguém espiava por cima do ombro o mantinha na mesma posição,&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SK1zAqRdNEI/AAAAAAAAAJQ/xXEYZwoVX7c/s1600-h/estrategia+obliqua.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SK1zAqRdNEI/AAAAAAAAAJQ/xXEYZwoVX7c/s320/estrategia+obliqua.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236968396886455362" /&gt;&lt;/a&gt; um misto patético de drummond em copacabana e uma roupa que não fica pendurada na maçaneta. a sensação de não pertencer à maçaneta – algo sentido mais como um desconforto na alma, um não-querer querer ler, um cansaço qualquer – afasta gabriel do preto e branco do livro. os olhos continuam fixados na página por dever cívico talvez, mas o texto atravessa os dois como uma paisagem distante, da qual não se pode distinguir muito bem se aquilo é um poste ou uma árvore. de qualquer jeito, os olhos traem o leitor e o homem da mesma forma e ameaçam seguir o modo como o rabo daquela garota encaixa perfeitamente no vestido que ela escolheu usar hoje. vestido florido. azul e branco. olhou de novo pra pagina bicolor do livro e viu a fome, a distância entre as letras e aquela curva inefável que a bunda da garota faz no vestido (quantas flores, quantas repetições entediadas do mesmo padrão de tecido para desvelar o teu segredo, mulher?). se ajeita no banco. pisca os olhos. se as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;zélia decidiu-se finalmente pelo táxi, afinal, está muito quente hoje e o sorvete ia derreter todo no ônibus. além do mais, zélia está cansada de ter sua camiseta grudada no assento por causa do calor. está cansada de olhar para corrimão de ônibus e lembrar que nenhum homem encosta nas suas coxas desde que seu finado marido passou a se chamar finado marido ao invés de andré ou amorzinho. ela estica a mão e sente quantos anos ficam para trás, quantos quadros do dali seriam necessários para segurar toda essa pele flácida de volta no lugar. o sono, o calor. nenhum táxi pára e zélia se assusta com o tráfego na nossa senhora. enrola o plástico da sacola no pulso e arrisca outra investida contra o rio de automóveis. dessa vez sente a fisgada e um táxi encosta. se ajeita e coloca o porto de galinhas de volta no centro da camiseta. o taxista não abre a porta e isso irrita zélia, afinal, está muito quente e o sorvete está derretendo. ao colocar a mão na maçaneta, a porta magicamente se abre e uma guria de uns vinte e poucos anos sai com cuidado do táxi, se despedindo do motorista (júlio, recém divorciado, uma menina de três anos, completamente deliciado com os olhos cor-de-mineiro-que-vê-pela-primeira-vez-o mar da jovem que não lhe deu nenhuma gorjeta). zélia olha com desprezo para a garota. é muito fácil caber num vestidinho como aquele quando não se trabalha desde os dezesseis anos. entrou no táxi reclamando do calor, falou pro motorista como está cansada de fazer compras enquanto seu marido fica em casa sem fazer nada, o safado. mesmo sem resposta do motorista que observa a menina sumir atrás de uma esquina (júlio podia ao menos tê-la lembrado de que seu marido estava tão morto quanto as suas coxas), zélia continua falando por toda a viagem, até que o sorvete esteja na geladeira e o vestido azul e branco da guria pare de contrastar como o céu e o inferno com a sua pele bronzeada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encontrou no fundo do copo outra frase de efeito. custou a tirá-la de lá, quase usou os dedos. todas as celas são do mesmo tamanho. boa, diz carlos e levanta sua latinha meio cheia. sua resposta é não só um silêncio oblíquo, uma maneira de evitar o óbvio (tipo: valeu, custei a tirar do fundo do copo essa, quase usei os dedos...), mas um mergulho rápido nas possíveis razões pelas quais ele bebe cerveja no copo e carlos direto da lata. copo é um intermediário que eu dispenso, ouvira uma vez. isso sim é frase de efeito. se imaginou com os amigos no bar. ué, mário, e o copo? cara, copo é um intermediário que eu dispenso. sorriu para os amigos imaginários e por um segundo se viu sorrindo para carlos, parado na sua frente. um ruído distante anunciava outro gol do américa sobre o fraco time do flamengo. virou a cabeça em busca de uma televisão e, antes de voltar-se para a bancada de novo, ouviu o suave farfalhar do vestido e dos cabelos louros. entre o tempo de ouvir o oi e olhar mais uma vez nos olhos dela, mário pode estudar cuidadosamente em sua mente a topologia utópica do seu corpo, a maneira com que deixa o braço e a mão de carlos descansar firmemente em seu quadril. apostando consigo mesmo que, ao olhar em seus olhos e dizer um oi de volta, vai ser transportado umas cinco ou seis quadras e jogado no mar de copacabana: disse oi, encarando as janelas de frente e rodando o copo vazio de cerveja entre os dedos. foi jogado no mar de copacabana. de volta ao bar, carlos soltou uma gargalhada e pôs-se a falar sobre segundos cadernos. mário continou brincando com o copo, evitando olhar para a invisível alça do vestido, mas os dedos molhados de cerveja deixam o copo escorregar e cair no chão. o casal olha brevemente para o amigo e volta a conversar sobre classificados. mário aposta consigo mesmo que em alguma parte do florido azulado do vestido dela existe o desenho exato dos estilhaços no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentado na calçada, viu o casal se beijando e um outro cara olhando pra baixo. pensou em flores e em como faz calor no rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;br /&gt;var gaJsHost = (("https:" == document.location.protocol) ? "https://ssl." : "http://www.");&lt;br /&gt;document.write(unescape("%3Cscript src='" + gaJsHost + "google-analytics.com/ga.js' type='text/javascript'%3E%3C/script%3E"));&lt;br /&gt;&lt;/script&gt;&lt;br /&gt;&lt;script type="text/javascript"&gt;&lt;br /&gt;var pageTracker = _gat._getTracker("UA-4840408-2");&lt;br /&gt;pageTracker._trackPageview();&lt;br /&gt;&lt;/script&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-6724023875073308119?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/6724023875073308119/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/f.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/6724023875073308119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/6724023875073308119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/f.html' title='f)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SK1zAqRdNEI/AAAAAAAAAJQ/xXEYZwoVX7c/s72-c/estrategia+obliqua.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-461292677832753402</id><published>2008-08-21T08:50:00.008+13:00</published><updated>2008-08-22T00:25:49.601+13:00</updated><title type='text'>e)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SK1PXoyyCcI/AAAAAAAAAJA/dn8Yg_F3Qw4/s1600-h/prolegomeno+da+inversao.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SK1PXoyyCcI/AAAAAAAAAJA/dn8Yg_F3Qw4/s320/prolegomeno+da+inversao.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236929209207753154" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;ele me disse vamos que tu me deve e eu não soube o que dizer. depois, tive a impressão de que ele também não sabia muito bem. eu falei desce o barranco vai vai porra. alguém gritou da janela moço eles foram por ali ó e logo em seguida ficou tudo em silencio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pus a mão no seu ombro e falei deita deita deita. escondi meu rosto entre os braços e torci para o mato alto esconder a gente e disfarçar a minha respiração ofegante.fechei os olhos e rezei senhor do céu por favor deixa eu voltar pra casa pelo amor de deus me deixa sair dessa caralho por favor eu não quero estar aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu ouvi ele se levantar. abri os olhos e entre as mãos vi quando ele se esgueirou por entre dois arbustos altos e se agachou mais a frente, numa outra faixa de mato. no fundo do meu ouvido começou um zumbido e eu não entendi que eram os pirilampos. em poucos segundos, o matagal a minha frente se iluminou numa esteira de fogo verde e eu ouvi dois tiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sangue preto desceu pelas folhas longas do capim e a luz dos insetos começou a subir rapidamente. eu não sabia mais o que era noite e o que eram as estrelas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-461292677832753402?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/461292677832753402/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/ele-me-disse-vamos-que-tu-me-deve-e-eu.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/461292677832753402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/461292677832753402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/ele-me-disse-vamos-que-tu-me-deve-e-eu.html' title='e)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SK1PXoyyCcI/AAAAAAAAAJA/dn8Yg_F3Qw4/s72-c/prolegomeno+da+inversao.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-6271779100006934753</id><published>2008-08-20T04:36:00.003+13:00</published><updated>2008-08-22T00:28:51.938+13:00</updated><title type='text'>d)</title><content type='html'>Eu li em alguma revista, não lembro onde, que tinha esse cara que tirava fotos que simulavam o espaço sideral usando somente café preto, açúcar e adoçante. Não. Foi na televisão que eu vi. De qualquer forma, o fato é que a dona Jandira tinha deixado o meu café na mesa de cabeceira já tinha um bom tempo. Quando eu consegui sair debaixo das cobertas, o café não só estava frio, como tinha uma galáxia flutuando na superfície. Café frio é uma merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu canso de reclamar com a dona Jandira – Não adianta levar o meu café na cama: nesse friozinho gostoso eu não acordo fácil de jeito nenhum. Mas entra tudo por um ouvido e sai pelo outro. Pelo menos ela fez o favor de deixar a pá no meu quarto também. Eu adoro me vestir devagar quando estou com preguiça, essa sensação de que os músculos estão cansados de dormir é muito boa. Em todo caso, eu quis evitar mais aporrinhação e desci direto pro parque. Cheguei na portaria e vi que tinha esquecido a chave da porta da frente. Tive que subir tudo de novo. Eu não consigo me acostumar com não ter mais porteiro. O seu Tiago era gente fina, sempre enchia o pneu da minha bicicleta e tudo mais. Agora essa parada de ter que andar com a chave do apartamento, da garagem, da porta da frente  e etc está me deixando louco. Outro dia, eu vi o meu vizinho tentando consertar o botão de abrir a garagem, foi muito engraçado, gordão do jeito que ele é, tendo que abaixar pra abrir a caixinha com a fiarada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desci dessa vez de escada, pra já dar uma esquentada antes do jogo. Fui batendo a pá nos degraus fazendo um barulho do caralho. O gordão gritou alguma coisa lá de cima, mas quem se importa. Atravessei a rua num pique, mas levei um susto foda porque tomei um estabaco antes de chegar na calçada do outro lado. Numa rua movimentada como a Rui Barbosa, não ter sido atropelado por um táxi ou um ônibus foi muita sorte, se bem que o trânsito no Rio está bem melhor agora. Já tinha uma galera no parque, todo mundo tirando neve de cima da quadra. Nenhum dos meus amigos mais próximos tinha chegado, então eu fiquei quieto na minha, tirando o gelo das traves dos gols e rindo de uns três caras que estavam escrevendo ‘deco viado’ com mijo na neve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo em si foi maneiro, a merda foi que neguinho estava cansando muito rápido e não tinha gente o suficiente pra montar outro time na de fora. Por mim é tranqüilo, eu tinha um compromisso na hora do almoço e ia sair mais cedo de qualquer forma. Aliás, eu estou pensando em comprar uma bola eu mesmo: está ficando meio chato ter que esperar pelo Rafael, que sempre chega tarde, pra poder começar o futebol. Se ficar todo mundo sentado lá esperando ele chegar e vendo a quadra encher de neve de novo – como acontece volta e meia – é claro que ninguém vai conseguir correr na hora de jogar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fui falando sobre isso com ele no táxi até a Gávea e o Rafa sugeriu de todo mundo fazer uma vaquinha para comprar uma bola em conjunto, o que é obviamente uma idéia bem menos imbecil do que comprar a bola eu mesmo. A Lagoa embaixo de toda aquela neve parecia um tampo de privada levantado, principalmente nas primeiras fotos que saíram no jornal, quando tudo começou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anteontem, na tv, eu vi uma entrevista com a Rosinha. Ela lamentava as mortes, mas se dizia entusiasmada com as baixas nos indicies de criminalidade e de pobreza no Rio. De fato, Ipanema nunca esteve tão linda – São Conrado agora se resume aos três ou quatro complexos de prédios que já estavam lá e só. Não existem mais as luzes da Rocinha à noite. O Rafael me contou que vão abrir uma pista de ski por ali.&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SK1RZLo0UiI/AAAAAAAAAJI/0R1EsxD66sA/s1600-h/DONA+JANDIRA.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SK1RZLo0UiI/AAAAAAAAAJI/0R1EsxD66sA/s320/DONA+JANDIRA.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5236931434764325410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei ele na Gávea, ali onde era a PUC e continuei viagem pra Barra. Me falaram que no comecinho da praia, ainda no Pepê, a nevasca veio de tal maneira, que criou uma rampa do topo dos prédios da orla até o mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-6271779100006934753?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/6271779100006934753/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/d.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/6271779100006934753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/6271779100006934753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/d.html' title='d)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SK1RZLo0UiI/AAAAAAAAAJI/0R1EsxD66sA/s72-c/DONA+JANDIRA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-3359678818630345892</id><published>2008-08-19T12:10:00.002+13:00</published><updated>2009-02-01T12:34:20.864+12:00</updated><title type='text'>c)</title><content type='html'>Digamos que alguém compre um terno de segunda mão num brechó que também vende molduras e livros escolares usados. Digamos também que uma das mangas do paletó esteja costurada dentro do bolso, já que seu antigo dono tinha um braço só (pode ser que ele tenha perdido o braço trabalhando numa mina, mas pode ser também que ele tenha perdido o braço numa aposta.).&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SKoB9-orqcI/AAAAAAAAAH0/a_epFhAdoLA/s1600-h/sao_jorge.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SKoB9-orqcI/AAAAAAAAAH0/a_epFhAdoLA/s320/sao_jorge.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235999681068902850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Agora digamos que essa pessoa que comprou o terno, e que acabou de descosturar a manga de dentro do bolso, encontra um pedaço de papel nesse bolso e que, nesse papel, esta escrito o seguinte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “ e qual das torturas redimirá&lt;br /&gt;a tua tristeza e a Capadócia?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, finalmente, digamos que essa pessoa que acaba de gastar vinte reais num terno e num pedaço rasgado de papel é ninguém mais, ninguém menos, que você. Logo você, que entrou lá procurando uma edição em boas condições do livro do Gustav Tomski que tem o conto Por trás da tua roseira (ou Atrás de ti, rosa numa outra tradução), aquele em que o cara se apaixona por um vulto que vê à noite no jardim e, mesmo descobrindo na manhã seguinte que se tratava de uma roseira, continua apaixonado e pula da varanda sobre as flores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você está sentado no ônibus há um bom tempo. Os seus pensamentos oscilam entre por que uma nuvem preta em cima do Leblon sempre me dá sono e o que que acontecia mesmo quando o cara pulava na roseira. Você encosta a cabeça no vidro e deixa os buracos na estrada e a violência do motorista embalarem o seu cansaço. O frio te obriga a esquentar as mãos e você as esconde nos bolsos do paletó – é aí que se lembra que no forro do bolso recém-descosturado tem aquele papel que diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “ e qual das torturas redimirá&lt;br /&gt;a tua tristeza e a Capadócia?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se chama Tomás e Tomás tira o papel de dentro do bolso e examina-o com cuidado. É obviamente um canto de pagina de livro em que alguém copiou os dois versos e depois rasgou. Tomás levanta o papel e observa que a caligrafia é como a das meninas na época em que estava na escola: aquela coleção de letras de fôrma bem desenhadinhas, com cuidado e caprichando especialmente nos os e nos is.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Grande São Jorge da Capadócia...” diz um cara do seu lado, fazendo Tomás perder a harmonia com o ônibus e acabar batendo a cabeça contra o vidro.&lt;br /&gt;“Pô, mal ae, te assustei né...”&lt;br /&gt;Tomás olha para o cara com certo tédio.&lt;br /&gt;“Eu só tava falando do papelzinho aí...Capadócia...é o São Jorge da Capadócia né...” Tomás continua quieto, sonolento, olhando para o rapaz.&lt;br /&gt;O cara volta a olhar pra frente e Tomás fica aliviado que a conversa acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Historia triste essa do São Jorge da Capadócia...” continua o cara, que não tinha virado para olhar pra frente, mas para relembrar o passado.“São Jorge e o dragão...ele morreu degolado, sabia né...” &lt;br /&gt;Tomás acha graça. “Quem? Jorge ou o dragão?”&lt;br /&gt;O homem responde com a mesma descontraída seriedade. “Acho que os dois né...mas eu tava falando do São Jorge, guerreiro de deus...morreu degolado pelo imperador da Capadócia...seu Diocleciano...”&lt;br /&gt;Se o terno não estivesse começando a incomodar o seu pescoço, Tomás teria se dado ao trabalho de prestar alguma atenção nas palavras desse preto crente. Começa a chover ruidosamente do outro lado da janela. O papel continua entre seus dedos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Qual o teu nome?” pergunta pro cara.&lt;br /&gt;“Anderson” você responde, porque o seu nome é Anderson e você gosta de lembrar que seu pai se chama Ander e que son é filho em estrangeiro.&lt;br /&gt;Torcendo pra que esse jovem emburrado olhando pela janela pare de te tratar mal, você pergunta de volta “E o teu?”&lt;br /&gt;“Tomás” é a resposta seca que ele dá.&lt;br /&gt;“Você acredita em Deus, Tomás?”&lt;br /&gt;Ele não responde, fica te olhando com cara de quem tem nojo da pergunta. Você ignora e continua contando sobre a morte do santo. “São Jorge morreu porque se negou a renunciar-se de sua fé em nosso senhor Jesus Cristo, né. Ele era o melhor dos guerreiros do exército de Diocleciano, mas o Imperador não teve piedade e, mesmo vendo todos os milagres do Senhor, mandou matar o pobre coitado, né.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomás volta a olhar para a janela e o papel descansa apertado na mão dele. Volta e meia você consegue ler o que está escrito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ e qual das torturas redimirá&lt;br /&gt;a tua tristeza e a Capadócia?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não sabe como dizer para esse moleque mal-educado como o que ele escreveu é bonito. Por outro lado, ele não parece o tipo que escreve, né. Quem sabe não foi a garota dele. As meninas são mais sensível pra essas coisas de poesia e do divino, né. A chuva batendo no ônibus e as luzes do trânsito te trazem uma tristeza branda mas pungente e você logo sente que se não continuar falando vai acabar chorando de melancolia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“São Jorge foi morto porque acreditava em Deus né...”&lt;br /&gt;“Pois é...”diz Tomás, desinteressado.&lt;br /&gt;“Foi a sua namorada que escreveu isso?”&lt;br /&gt;“E que porra de pergunta é essa?”&lt;br /&gt;Você percebe que irritou o rapaz. De fato foi uma pergunta estranha. Você tenta consertar mudando de assunto.&lt;br /&gt;“Ninguém redimirá a tristeza de Jorge e de todo o reino da Capadócia com o que o Imperador fez né...”&lt;br /&gt;Tomás te olha agressivamente, querendo claramente terminar a conversa.&lt;br /&gt;“E quem disse que a tristeza é dele? Pode ser do outro cara, o Imperador Diocesar ae...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anderson desvia o olhar. O ônibus fecha um outro carro enquanto o barulho da chuva atesta a gravidade. Tomás encosta a cabeça no vidro de novo – o sono foi embora e deixou somente a irritação de perceber que o terno que comprou fede muito – e continua tentando lembrar como que terminava aquele conto do G.Tomski...tinha algo a ver com os espinhos, ou não tinha. Anderson também está perdido em pensamentos, sem saber se a tristeza pertence a São Jorge, Diocleciano ou a ele mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Digamos que alguém ache a edição do tal livro e constate que o conto Por trás de tua roseira não existe. Digamos também que numa das páginas desse livro – todo anotado e comentado pela última proprietária – um dos cantos inferiores da folha está rasgado. Digamos, por fim, que esse escritor G.T. perdeu um dos braços numa aposta que fez com um general polonês quando os dois estavam bêbados, tentando se proteger do frio, da chuva forte e da tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ E eu – mal de não consentir em nenhum afirmar das docemente coisas que são feias – eu me esquecia de tudo, num espairecer de contentamento, deixava de pensar.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-3359678818630345892?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/3359678818630345892/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/c.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3359678818630345892'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3359678818630345892'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/c.html' title='c)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SKoB9-orqcI/AAAAAAAAAH0/a_epFhAdoLA/s72-c/sao_jorge.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-3630230357236835741</id><published>2008-08-19T08:35:00.005+13:00</published><updated>2008-08-19T11:24:10.647+13:00</updated><title type='text'>b)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SKnQDcZQqBI/AAAAAAAAAGg/wAXBV_LveIE/s1600-h/parto.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SKnQDcZQqBI/AAAAAAAAAGg/wAXBV_LveIE/s320/parto.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235944799375239186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O sinal muda pra vermelho e eu me lembro de que estou levando a minha mulher no medico pela quinta vez no mês. Devíamos estar indo de ônibus para economizar alguns trocados, já que o médico custa uma fortuna.&lt;br /&gt;O doutor nos recebe com um sorriso e um bigode firme, fala com uma doçura incerta que seremos os felizes pais de um pato. Minha mulher mal pode conter as lágrimas. Eu penso em se será menino ou menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As semanas seguintes decorrem entre pesquisas em enciclopédias e livros de ornitologia. Enfim concordamos com Donaldo, se for pato, e Luiza, se for pata. Aprendo palavras como ovovivíparo e anseriforme e explico para as visitas a diferença entre um pato-real e um pato-ferrão. Escuto minha mulher repetindo para as amigas que será um parto tranqüilo, pois o ovo não é maior do que um punho fechado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje as contrações estão muito fortes e nós percebemos que o bebe vai nascer. A mala já esta pronta e enquanto descemos no elevador tudo o que penso é em pegar um ônibus e economizar alguns trocados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-3630230357236835741?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/3630230357236835741/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/b.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3630230357236835741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/3630230357236835741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/b.html' title='b)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SKnQDcZQqBI/AAAAAAAAAGg/wAXBV_LveIE/s72-c/parto.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2976035964477693392.post-677399946884845590</id><published>2008-08-18T13:08:00.005+13:00</published><updated>2008-08-18T16:06:55.297+13:00</updated><title type='text'>a)</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SKjF3AdlIQI/AAAAAAAAAGE/ZNsYY4-EBy0/s1600-h/fragmento+inteditado.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SKjF3AdlIQI/AAAAAAAAAGE/ZNsYY4-EBy0/s320/fragmento+inteditado.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235652115625746690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;...pensa e finalmente termina de mijar. Fecha o zíper, volta andando calmamente pra perto do carro (será que esse cuidado todo para afastar o mato do rosto, esse jeito delicado de empurrar os galhos para longe, não tem nada a ver com aqueles dias em que saía com o pai pra pescar - dias em que desciam aquele matagal fechado em meio aos ‘cuidado com o moleque, gerson’ e os ‘faz tudo o que o teu pai mandar, viu guri’ que sua mãe ia gritando enquanto os dois sumiam morro abaixo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desciam sufocados pelo verde até a metade do caminho: dali pra frente o mato diluía e sobravam só umas árvores enormes. Gerson carregava as duas sacolas pro menino poder tacar pedras nos micos e nos passarinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o pai já estava muito doente e a catarata o impedia de olhar as visitas nos olhos, a historia de como wagner uma vez acertou em cheio um passarinho e ficou andando o dia todo com o bicho morto na mão era uma das poucas coisas que ainda moldavam um sorriso no seu rosto velho, enquanto contava para quem estivesse em volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wagner acompanhou o pai até os quatorze anos. Enquanto observavam a linha dançar na água, sentados na beira do rio, tinham todo tipo de conversa de homem pra homem – ate o dia em que waguinho virou homem, aí não só as pescarias pararam, como as conversas também. Aos quatorze se mudou pro Rio, foi morar na casa de um primo em Rocha Miranda, passar os dias vendo gente com mais dinheiro que ele sair do Colégio Salesiano e ir comer no Habib’s.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca mais viu o pai. Nunca mais jogou pedra em passarinho, mas – em compensação – aprendeu a atirar com arma de verdade e passou a dar asas pras pessoas ao invés de tirar dos bichos que já tem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que ele pensa no seu Gerson – será que pensa no seu falecido pai e nas conversas que tinham na beira do rio – enquanto sobe de volta pra clareira onde está o carro) e checa se o morto já começou a cheirar no porta-malas. Wagner acende...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2976035964477693392-677399946884845590?l=digitequalquercoisa.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/feeds/677399946884845590/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/fragmento-interditado-por-um-comentrio.html#comment-form' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/677399946884845590'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2976035964477693392/posts/default/677399946884845590'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://digitequalquercoisa.blogspot.com/2008/08/fragmento-interditado-por-um-comentrio.html' title='a)'/><author><name>Gabriel Tupinambá</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15931852892051086393</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='21' src='http://3.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/TIAD5_r9e_I/AAAAAAAAAlw/NRH9SrsCx00/S220/IMG_3351x.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_pbH_5Ncmncs/SKjF3AdlIQI/AAAAAAAAAGE/ZNsYY4-EBy0/s72-c/fragmento+inteditado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
